O Conselho de Segurança das Nações Unidas agendou para esta quinta-feira (15) uma sessão informativa extraordinária para tratar da instabilidade no Irã. A reunião foi convocada a pedido dos Estados Unidos e será conduzida sob a presidência rotativa da Somália. O movimento diplomático ocorre em um cenário de nítida descompressão na retórica da Casa Branca, que havia subido o tom contra Teerã nos últimos dias.
A movimentação de Washington na ONU sucede um período de alta tensão, marcado por ameaças diretas de ação militar e pela retirada de funcionários estrangeiros do território iraniano por precaução. No entanto, o presidente Donald Trump optou por suavizar o discurso agressivo, priorizando agora a via multilateral. A agenda oficial da sessão deve focar nos desdobramentos dos protestos civis no Irã, que perderam força após a intervenção das autoridades locais.
A situação econômica iraniana, que serviu de estopim para as manifestações populares, permanece como o núcleo das preocupações internacionais. Enquanto os EUA tentam angariar apoio para novas sanções, o Conselho de Segurança avalia o impacto da crise na segurança regional do Oriente Médio. O desfecho da reunião é aguardado como um termômetro para a viabilidade de novos acordos diplomáticos ou para a manutenção do isolamento econômico do país persa.
A sesta do xerife e o recuo estratégico
Não há espetáculo mais melancólico do que o de um império que descobre que seu estoque de ameaças está vencido. Donald Trump, que até o café da manhã prometia fogo e fúria contra Teerã, parece ter percebido que o mundo de 2026 não se dobra mais a tuítes em caixa alta. O pedido de socorro à ONU — sob a presidência da Somália, em uma ironia histórica deliciosa — é a prova de que o xerife ianque está com a pólvora úmida e o sono atrasado. Quando a agressividade de subúrbio não assusta a Rússia e a China, o caminho de volta para a diplomacia é pavimentado com o gogó da burocracia internacional.
O paralelo histórico aqui é o de uma Roma decadente tentando convencer seus aliados de que o recuo é, na verdade, uma “janela de oportunidade”. A verdade, que a mídia corporativa tenta maquiar como “sensatez presidencial”, é a pilhagem interrompida. O Irã não é uma ilha isolada no mapa da conveniência de Washington; é um pilar da Eurásia que não se curva a quem cochila no Salão Oval. Enquanto a ONU discute o que Trump não teve coragem de executar, o Sul Global observa, com um sorriso de canto de boca, o mastro da bandeira americana balançar ao sabor do vento da própria insignificância.
O tabuleiro de Teerã no Conselho de Segurança
| Potência | Discurso Oficial | A Realidade nos Bastidores |
| EUA | “Defesa dos direitos humanos” | Tentativa de salvar o dólar e o controle do petróleo. |
| Irã | “Resistência ao imperialismo” | Sobrevivência econômica sob o cerco das sanções. |
| Rússia | “Equilíbrio e soberania” | Blindagem de um aliado chave contra a expansão da OTAN. |
| China | “Estabilidade regional” | Segurança energética para alimentar o motor do século XXI. |

