Bastou um oi russo

Donald Trump troca canhão pelo gogó na ONU sobre o Irã

Após ameaça militar falhar, Washington busca diplomacia de última hora para conter crise persa
Foto: ONU/Manuel Elias
Foto: ONU/Manuel Elias
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico

Jornalista do Diário Carioca.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas agendou para esta quinta-feira (15) uma sessão informativa extraordinária para tratar da instabilidade no Irã. A reunião foi convocada a pedido dos Estados Unidos e será conduzida sob a presidência rotativa da Somália. O movimento diplomático ocorre em um cenário de nítida descompressão na retórica da Casa Branca, que havia subido o tom contra Teerã nos últimos dias.

A movimentação de Washington na ONU sucede um período de alta tensão, marcado por ameaças diretas de ação militar e pela retirada de funcionários estrangeiros do território iraniano por precaução. No entanto, o presidente Donald Trump optou por suavizar o discurso agressivo, priorizando agora a via multilateral. A agenda oficial da sessão deve focar nos desdobramentos dos protestos civis no Irã, que perderam força após a intervenção das autoridades locais.

A situação econômica iraniana, que serviu de estopim para as manifestações populares, permanece como o núcleo das preocupações internacionais. Enquanto os EUA tentam angariar apoio para novas sanções, o Conselho de Segurança avalia o impacto da crise na segurança regional do Oriente Médio. O desfecho da reunião é aguardado como um termômetro para a viabilidade de novos acordos diplomáticos ou para a manutenção do isolamento econômico do país persa.

A sesta do xerife e o recuo estratégico

Não há espetáculo mais melancólico do que o de um império que descobre que seu estoque de ameaças está vencido. Donald Trump, que até o café da manhã prometia fogo e fúria contra Teerã, parece ter percebido que o mundo de 2026 não se dobra mais a tuítes em caixa alta. O pedido de socorro à ONU — sob a presidência da Somália, em uma ironia histórica deliciosa — é a prova de que o xerife ianque está com a pólvora úmida e o sono atrasado. Quando a agressividade de subúrbio não assusta a Rússia e a China, o caminho de volta para a diplomacia é pavimentado com o gogó da burocracia internacional.

O paralelo histórico aqui é o de uma Roma decadente tentando convencer seus aliados de que o recuo é, na verdade, uma “janela de oportunidade”. A verdade, que a mídia corporativa tenta maquiar como “sensatez presidencial”, é a pilhagem interrompida. O Irã não é uma ilha isolada no mapa da conveniência de Washington; é um pilar da Eurásia que não se curva a quem cochila no Salão Oval. Enquanto a ONU discute o que Trump não teve coragem de executar, o Sul Global observa, com um sorriso de canto de boca, o mastro da bandeira americana balançar ao sabor do vento da própria insignificância.

O tabuleiro de Teerã no Conselho de Segurança

PotênciaDiscurso OficialA Realidade nos Bastidores
EUA“Defesa dos direitos humanos”Tentativa de salvar o dólar e o controle do petróleo.
Irã“Resistência ao imperialismo”Sobrevivência econômica sob o cerco das sanções.
Rússia“Equilíbrio e soberania”Blindagem de um aliado chave contra a expansão da OTAN.
China“Estabilidade regional”Segurança energética para alimentar o motor do século XXI.

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