Brasília — 9 de julho de 2025 | O Conselho de Ética da Câmara iniciou o julgamento de Gilvan da Federal, suspenso por ofensas misóginas contra Gleisi Hoffmann.
Câmara julga Gilvan da Federal por ofensa misógina e ataque político
A Câmara dos Deputados deu início, nesta terça-feira (9), ao processo disciplinar contra Gilvan da Federal (PL-ES), figura emblemática do bolsonarismo radical, por conduta incompatível com o decoro parlamentar. O deputado está suspenso há três meses após chamar a ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, de “prostituta” e “amante” durante audiência pública em abril. A sessão do Conselho de Ética ocorreu no plenário 11 da Casa.
A representação contra Gilvan foi apresentada pela própria Mesa Diretora da Câmara, que considerou os ataques misóginos e ofensivos como transgressões inaceitáveis, mesmo sob a prerrogativa da imunidade parlamentar. O processo pode levar à cassação definitiva de seu mandato.
Discursos de ódio e reincidência
Gilvan já foi condenado a um ano e quatro meses de reclusão por violência política de gênero contra a deputada estadual Camila Valadão (PSOL), no Espírito Santo. Além disso, em outra ocasião, o parlamentar sugeriu a execução do presidente Lula durante uma audiência da Comissão de Segurança Pública da Câmara, reforçando seu histórico de incitação à violência e desrespeito à ordem democrática.
A denúncia atual afirma que o deputado extrapolou qualquer limite do debate parlamentar ao utilizar linguagem degradante e pessoalmente ofensiva contra uma ministra de Estado, comprometendo a dignidade do Poder Legislativo.
Defesa evasiva e tentativa de inversão
Em sua defesa, Gilvan tentou inverter a narrativa ao culpar o deputado Lindbergh Farias (PT) pelo início da confusão e alegar que a representação seria “imprecisa e genérica”. A Mesa Diretora, no entanto, rechaçou o argumento e reforçou que a ofensa pessoal a Gleisi foi pública, registrada em vídeo e amplamente repercutida.
O relator do caso, deputado Ricardo Maia (MDB-BA), afirmou que a suspensão provisória de 90 dias foi “proporcional e necessária” para preservar a imagem da Câmara, classificando a fala de Gilvan como “desqualificação moral grave e inconciliável com a função parlamentar”.
Precedente inédito
A suspensão prévia do mandato de Gilvan foi uma medida inédita adotada pela Câmara, sem que o processo disciplinar estivesse concluído. A decisão abriu um precedente institucional ao reconhecer que discursos misóginos, violentos e antidemocráticos exigem resposta imediata, não apenas por respeito às vítimas, mas pela integridade do Parlamento.
Caso o Conselho de Ética recomende a cassação do mandato, a decisão final caberá ao plenário da Câmara, por voto aberto.
O Diário Carioca Esclarece
- O decoro parlamentar é uma norma constitucional que impõe limites à conduta de deputados e senadores.
- A imunidade parlamentar não abrange ofensas pessoais, discursos de ódio ou incitação à violência.
- A cassação de mandato exige maioria absoluta no plenário da Câmara após recomendação do Conselho de Ética.
- O julgamento de Gilvan da Federal pode reforçar novos parâmetros de enfrentamento à violência política de gênero.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quem é Gilvan da Federal?
Deputado federal pelo Espírito Santo e figura do bolsonarismo radical, conhecido por discursos violentos, ataques misóginos e afrontas ao Estado democrático.
O que está sendo julgado no Conselho de Ética?
A conduta de Gilvan ao chamar publicamente a ministra Gleisi Hoffmann de “prostituta”, além de sua reincidência em episódios de violência política de gênero.
Ele pode perder o mandato?
Sim. Se o Conselho recomendar a cassação e o plenário da Câmara aprovar por maioria absoluta, o mandato de Gilvan será encerrado.

