Brasília — 26 de outubro de 2024 | O deputado Hugo Motta utilizou R$ 110 mil do Fundo Partidário para fretar um jatinho particular com destino a Belém, onde participou da festa de aniversário do senador Jader Barbalho. As informações são do colunista Tácio Lorran, do Metrópoles.
Luxo e articulação política em voo solo com dinheiro público
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), utilizou recursos públicos para uma viagem pessoal luxuosa: R$ 110 mil foram desembolsados do Fundo Partidário para custear o aluguel de um jatinho, com o único propósito de comparecer à festa de 80 anos do senador Jader Barbalho (MDB-PA), realizada em Belém, no dia 26 de outubro de 2024.
Segundo apuração do colunista Tácio Lorran, do Metrópoles, Motta embarcou sozinho às 11h15, partindo de Brasília, e retornou à capital federal no mesmo dia, às 16h15. O relatório da viagem confirma que ele foi o único passageiro.
O uso do avião foi custeado pelo partido Republicanos com verba do Fundo Partidário — dinheiro público que, por lei, deve ser aplicado exclusivamente na manutenção e funcionamento das legendas. Na ocasião, Motta já articulava sua candidatura à presidência da Câmara e compartilhou o evento com nomes como Arthur Lira (PP-AL) e Ciro Nogueira (PP-PI).
Contradição entre discurso e prática
O caso chama atenção não apenas pelo uso indevido de recursos públicos, mas pela flagrante incoerência entre discurso e prática. Hugo Motta é defensor contumaz da “austeridade fiscal” e já fez duras críticas aos gastos do governo Lula (PT), clamando por uma máquina pública mais enxuta. Ainda assim, não hesitou em investir quase um terço de salário parlamentar em um voo particular de luxo para fins não institucionais.
Além disso, no mês anterior, o deputado foi alvo de polêmica ao gastar R$ 27 mil em um jantar com cerca de 30 parlamentares — o equivalente a R$ 904 por pessoa — também pago com verba pública, segundo revelou a colunista Andreza Matais.
Partido tenta normalizar gasto
Questionada sobre o uso do jatinho, a assessoria de Motta afirmou que “o pagamento foi realizado de forma regular, em conformidade com a legislação vigente e com as normas internas do partido, não havendo qualquer irregularidade ou impropriedade nos procedimentos adotados”.
A justificativa, no entanto, não convence especialistas em direito eleitoral e gestão pública, que apontam para a distorção do uso do Fundo Partidário e reforçam que gastos pessoais, ainda que com verniz político, violam o princípio da moralidade pública.
O Diário Carioca Esclarece
- O Fundo Partidário é composto por dinheiro público destinado exclusivamente à estrutura dos partidos políticos, não a fins pessoais.
- Eventos privados, ainda que com presença de lideranças políticas, não são considerados atividades partidárias formais.
- O uso de jatinhos pagos com verba pública deve obedecer a critérios de transparência e finalidade institucional.
- O Diário Carioca verifica todos os dados com base em fontes confiáveis e checadas antes da publicação.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Hugo Motta pode usar jatinho pago com verba pública para eventos sociais?
Não. O Fundo Partidário é destinado à manutenção institucional dos partidos. Viagens para festas ou eventos pessoais não se enquadram nessa finalidade.
A viagem de Hugo Motta foi ilegal?
Apesar de a assessoria alegar legalidade, especialistas apontam que há desvio de finalidade no uso dos recursos, o que pode configurar irregularidade.
Quem são os outros políticos que participaram do evento em Belém?
Entre os presentes estavam o deputado Arthur Lira e o senador Ciro Nogueira, ambos articuladores políticos com influência no Congresso.

