TCU vê irregularidade na viagem de Eduardo Bolsonaro aos EUA

Tribunal aponta uso indevido de verba pública nos EUA e pode acionar Câmara após denúncia de Guilherme Boulos
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Brasília, 11 de julho de 2025 — A área técnica do TCU identificou indícios de uso irregular de recursos públicos por Eduardo Bolsonaro durante sua estadia nos Estados Unidos. A denúncia partiu de Guilherme Boulos.


Auditoria liga Eduardo a possível uso indevido de verbas

A diretoria de fiscalização dos Poderes Legislativo e Judiciário do TCU concluiu: há “indícios suficientes de irregularidade” na viagem de Eduardo Bolsonaro aos Estados Unidos. O parecer, validado pela chefia de auditoria nesta sexta-feira (11), recomenda que a Câmara dos Deputados seja formalmente provocada a investigar o caso.

Na prática, a suspeita é de que Eduardo tenha usado dinheiro público para bancar sua estadia no exterior, mesmo enquanto fazia articulações políticas que extrapolam — e afrontam — os limites institucionais de um parlamentar em licença.

Pressão política e suspeita de traição

O processo foi instaurado a partir de uma representação do deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP). Ele acusa Eduardo Bolsonaro de colaborar com interesses estrangeiros em ações hostis ao Brasil. A acusação é grave: pode configurar crime previsto no artigo 8º do Código Penal, que trata da associação com potências externas para atos contra a soberania nacional.

Boulos tem denunciado o papel de Eduardo como elo entre o bolsonarismo e o governo Donald Trump, inclusive nas recentes tentativas de deslegitimar instituições brasileiras. A carta enviada por Trump a Lula — em que o norte-americano exige “anistia ampla” a Bolsonaro — serviu de gatilho para reforçar a denúncia.

Licença parlamentar e ausência sem justificativa

A análise do TCU se debruçou também sobre a frequência de Eduardo na Câmara. Ele justificou apenas uma de cinco ausências em sessões deliberativas antes de tirar licença por “motivos de saúde”. Logo em seguida, pediu afastamento por “interesses particulares”. O Tribunal entendeu que o comportamento levanta dúvidas sobre a real finalidade da estadia.

Segundo técnicos, há margem para que a Câmara o cobre por uso indevido de benefícios enquanto conduzia atividades que não condizem com o mandato — incluindo reuniões com membros do Partido Republicano e ações coordenadas para pressionar o Judiciário brasileiro.

Zymler decidirá os próximos passos

A decisão final sobre a abertura de investigação pela Câmara caberá ao ministro relator do caso no TCU, Benjamin Zymler. Caso acolha a recomendação da área técnica, a Câmara poderá ser formalmente instada a apurar os gastos da viagem, com base na Lei de Improbidade Administrativa.

A situação de Eduardo se agrava em meio ao crescente cerco jurídico sobre o clã Bolsonaro. Com investigações por obstrução, coação e conspiração golpista em curso, o uso de dinheiro público para fomentar articulações no exterior pode ser o empurrão que faltava para sua responsabilização formal.


O Diário Carioca Esclarece

  • Por que o TCU está analisando a viagem de Eduardo?
    O tribunal recebeu denúncia de uso irregular de recursos públicos e abriu auditoria.
  • Quem apresentou a denúncia?
    O deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), com base em suspeitas de articulação política contra o Brasil.
  • O que diz o parecer do TCU?
    Que há indícios suficientes de irregularidade. Cabe agora ao ministro Zymler decidir se acata a recomendação.

FAQ (Perguntas Frequentes)

Eduardo Bolsonaro usou verba pública para viajar?
Segundo parecer do TCU, há indícios de que sim — o que pode configurar irregularidade.

Qual foi o motivo oficial da viagem?
Eduardo alegou motivos de saúde e, depois, interesses particulares. Mas participou de ações políticas nos EUA.

O que pode acontecer agora?
A Câmara pode ser acionada a investigar e, se confirmada a irregularidade, aplicar sanções.

Recomendadas