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Hugo Motta emprega funcionárias fantasmas na Câmara

Presidente da Câmara contratou fisioterapeuta, estudante e assistente social com cargos fantasmas e salários pagos com dinheiro público
Hugo Motta - Foto: Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Hugo Motta - Foto: Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Brasília, 15 de julho de 2025 — O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), empregou três funcionárias fantasmas com salário público. O caso, revelado por Folha e Metrópoles, inclui uma fisioterapeuta, uma estudante de medicina e uma servidora da prefeitura de João Pessoa.

Presidência da Câmara usa verba pública para empregar fantasmas
O gabinete do deputado Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, virou centro de um escândalo que expõe com clareza a naturalização do desvio de recursos públicos em Brasília. Reportagens do Metrópoles e da Folha de S.Paulo revelaram que Motta emprega três mulheres em cargos de secretária parlamentar sem que nenhuma delas cumpra as funções previstas em lei. Todas atuam em outras ocupações, algumas em tempo integral.

Em comum, mantêm vínculos pessoais ou políticos com o deputado paraibano. Gabriela Pagidis, uma das nomeadas, é filha da ex-chefe de gabinete de Motta e trabalha como fisioterapeuta em clínicas privadas. Louise Lacerda é estudante de medicina em regime integral e filha de um aliado político. Já Monique Magno atua como assistente social na prefeitura de João Pessoa.

Gabinete com crachá, mas sem presença
O modelo de fraude é antigo, mas segue eficaz: cargos comissionados sem ponto biométrico, com jornada remota não fiscalizada, e salários depositados mensalmente com aval da estrutura da Câmara. Gabriela Pagidis recebeu R$ 807 mil desde que foi nomeada por Motta, em 2017. Somando o período anterior, quando estava lotada no gabinete do ex-deputado Wilson Filho, aliado do atual presidente da Câmara, o valor supera R$ 890 mil.

Gabriela atua como fisioterapeuta no Instituto Costa Saúde e no Centro Clínico Bandeirantes, em Brasília. A reportagem do Metrópoles registrou a presença da funcionária fantasma nas clínicas em horário de expediente, além de idas à academia e ao zoológico nas sextas-feiras — quando deveria estar na Câmara.

A Casa se recusou a informar registros de acesso ou atividades das servidoras, alegando que esse controle é “responsabilidade do gabinete”.

Cargos públicos como herança de família
As demais nomeações seguem o mesmo padrão de nepotismo cruzado. Louise Lacerda, filha de Marcílio Lacerda (Republicanos), frequenta um curso integral de medicina em João Pessoa desde 2018, ano em que foi contratada. Já Monique Magno acumula dois vínculos públicos, o que é ilegal: trabalha na prefeitura da capital paraibana com jornada de 30 horas semanais e, ao mesmo tempo, recebe salário da Câmara como secretária parlamentar.

Todas foram questionadas pelas reportagens. Nenhuma quis comentar. Louise e Monique encerraram o contato com jornalistas. Gabriela, que também estudou fisioterapia em tempo integral na UnB, não explicou como conciliava a graduação com o suposto trabalho na Câmara.

Motta exonera duas, mas não entrega provas
A assessoria de Hugo Motta informou que ele determinou a exoneração de duas funcionárias após questionamentos da imprensa. Até a noite desta terça-feira (15), os atos não haviam sido publicados.

O deputado também mantém em seu gabinete Maria do Carmo Brito, ex-sogra de seu pai, com salário bruto de R$ 2.900 e auxílio de R$ 1.800. Ela declarou não ter emprego formal em ação judicial recente, mesmo sendo nomeada oficialmente no gabinete.

Em nota oficial, o gabinete do presidente da Câmara afirmou que os servidores “atuam remotamente dentro das regras da Casa” e se recusou a apresentar qualquer comprovante de jornada, atividade ou função.

Perguntas e Respostas

Quem são as funcionárias fantasmas de Hugo Motta?
Gabriela Pagidis, fisioterapeuta em clínicas privadas; Louise Lacerda, estudante de medicina; e Monique Magno, assistente social da prefeitura de João Pessoa.

Quanto elas já receberam da Câmara?
Gabriela Pagidis recebeu mais de R$ 807 mil desde 2017. Com o período anterior, o total ultrapassa R$ 890 mil.

Essas contratações são legais?
Não. A legislação proíbe acúmulo de cargos públicos e exige dedicação exclusiva. O descumprimento configura improbidade.

As funcionárias apareciam para trabalhar?
Não. Nenhuma delas batia ponto. Duas atuam em outras profissões e uma estuda em tempo integral.

Hugo Motta apresentou provas de que elas trabalhavam?
Não. O gabinete se recusou a apresentar registros de ponto, atividades ou funções desempenhadas.

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