Brasília, 16 de julho de 2025 — Movimentos populares ocuparam a Câmara dos Deputados para lançar o Plebiscito Popular por um Brasil Mais Justo. A mobilização exige taxação dos super-ricos, nova política fiscal e o fim da escala 6×1.
Um país de pé exige justiça tributária
Enquanto parlamentares discutiam no plenário mais uma reforma fiscal com aroma de ajuste, do lado de fora os movimentos populares tomaram o auditório Nereu Ramos com outra proposta: justiça. Cerca de 400 militantes de organizações de base, sindicatos e partidos de esquerda lançaram oficialmente o Plebiscito Popular por um Brasil Mais Justo. O alvo: os super-ricos.
Com apoio de lideranças do PT, PSOL, PCdoB, PDT, PSB e Rede, o ato marca uma ofensiva popular contra a elite econômica que historicamente blindou seus privilégios sob um sistema tributário regressivo e desumano. A reivindicação é direta: quem tem mais, deve pagar mais.
O evento ocorre no mesmo dia em que uma comissão da Câmara debate o projeto de lei 1087/25, que propõe elevar a isenção do Imposto de Renda para R$ 5.000 e tributar em 10% rendas acima de R$ 600 mil anuais. Mas, para os movimentos, isso é insuficiente. O que está em disputa é a lógica do sistema.
500 mil vozes contra a desigualdade
A campanha do plebiscito já ultrapassou a marca de meio milhão de votos em apenas sete dias. Escolas, feiras, igrejas, praças, sindicatos: em todos os cantos, a população participa — presencialmente ou pela internet. O método é simples, mas o conteúdo é explosivo: tributar os ultrarricos, ampliar os direitos trabalhistas e enterrar de vez a lógica neoliberal que governa a economia brasileira desde os anos 1990.
A proposta vai além da arrecadação. Os organizadores exigem a redução da jornada de trabalho sem corte de salários, o fim da escala 6×1 e a revalorização do trabalho como fundamento da democracia. A classe trabalhadora não aceita mais sustentar um país onde 1% acumula e o resto sobrevive.
Segundo Igor Felippe Santos, dirigente da campanha, a mobilização reflete o sentimento das ruas. “A maioria do povo sabe que o sistema é injusto. E está pronta para lutar por outro modelo de país”, afirmou.
O Congresso pressionado
A presença de partidos da base governista e da esquerda combativa no ato não é mero apoio simbólico. É sinal de que a pressão popular começa a se infiltrar no jogo institucional. Deputados como Orlando Silva, articulador do evento, sabem que a rua voltou a ter voz — e que ignorá-la pode custar caro.
Enquanto isso, o projeto relatado por Arthur Lira tenta aparentar justiça ao propor isenção para assalariados e taxação simbólica para milionários. Mas os R$ 76 bilhões estimados em arrecadação até 2028 não bastam para responder à desigualdade histórica de um país onde empresários bilionários seguem isentos de tributar seus lucros e dividendos.
A ocupação simbólica do espaço legislativo é um recado direto: ou o Congresso avança na justiça fiscal, ou verá a crise social transbordar.
Perguntas e Respostas
O que propõe o Plebiscito Popular por um Brasil Mais Justo?
Taxação dos super-ricos, redução da jornada de trabalho e fim da escala 6×1.
Quantas pessoas já participaram da votação?
Mais de 500 mil em uma semana, presencial e digitalmente.
Quem articulou o ato na Câmara?
Movimentos sociais com apoio de deputados de partidos como PT, PSOL e PCdoB.
O projeto debatido na Câmara atende às demandas do plebiscito?
Parcialmente. Ele propõe isenção até R$ 5.000 e taxa de 10% para milionários, mas os movimentos cobram medidas mais profundas.
Qual a expectativa dos organizadores?
Ampliar a pressão popular e forçar o Congresso a romper com privilégios da elite econômica.
