Brasília, 21 de julho de 2025 — Parentes diretos de Michelle Bolsonaro fundaram uma nova empresa para comercializar produtos com a marca da família, fortalecendo o braço empresarial do bolsonarismo fora do poder institucional.
A marca Bolsonaro virou empresa — e agora também vitrine. A filha mais velha e o irmão de Michelle Bolsonaro abriram uma loja oficial com o nome da família, registrada em Brasília e operando com capital social de R$ 300 mil. O empreendimento passa a integrar a rede de negócios que cerca o ex-presidente Jair Bolsonaro, seus filhos e seus aliados mais próximos, todos empenhados em monetizar o legado político com base em culto de imagem, fidelização ideológica e exploração mercantil de símbolos autoritários.
Letícia Marianna Firmo da Silva, filha de Michelle, é sócia do novo negócio e também ocupa um cargo comissionado no governo de Santa Catarina, nomeada pelo bolsonarista Jorginho Mello (PL). Sua função: representar o estado em Brasília. Salário bruto: cerca de R$ 13 mil. A dupla militância entre o público e o privado se tornou regra — e não exceção — no clã, onde ocupações institucionais funcionam como trampolim para iniciativas comerciais, e vice-versa.
O outro sócio é Carlos Eduardo Antunes Torres, irmão de Michelle, fotógrafo de formação, ex-terceirizado da Caixa Econômica Federal durante o governo Bolsonaro e candidato derrotado duas vezes ao Legislativo distrital. Mesmo sem sucesso eleitoral, Carlos manteve trânsito livre nos bastidores do poder e agora transfere sua ambição política para a iniciativa privada, com o selo do sobrenome.
A empresa, batizada de Loja do Bolsonaro Oficial, atua no varejo e oferece desde roupas e joias até brinquedos e artigos domésticos. É o tipo de empreendimento que transforma capital político em capital financeiro. E que repete a lógica de outras iniciativas da família, todas centradas na exploração direta do nome Bolsonaro como ativo de mercado.
O ex-presidente já havia registrado sua própria empresa em 2023, especializada em produtos com grafeno, inclusive coletes e armamentos. Eduardo Bolsonaro, deputado federal por São Paulo, mantém negócios ligados a cursos e produtos conservadores. Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio, também embarcou no setor privado, tornando-se sócio de uma corretora de seguros fundada por um ex-executivo da Andrade Gutierrez — empresa investigada na Lava Jato.
A multiplicação de empresas com sobrenome de presidente é mais que oportunismo: é estratégia. A judicialização crescente da família Bolsonaro — alvo de inquéritos, ações eleitorais e processos criminais — reforçou a necessidade de construir autonomia financeira fora da política institucional. Enquanto a inelegibilidade de Jair Bolsonaro se confirma e a base eleitoral enfrenta desgaste, os negócios privados passam a sustentar a engrenagem ideológica.
O bolsonarismo se estrutura como uma máquina de monetização política que ignora as fronteiras entre o público e o privado, entre o Estado e o negócio. A Loja do Bolsonaro não é um detalhe — é um sintoma da radicalização neoliberal de uma extrema-direita que lucra com discurso moralista, vende segurança em forma de produto e transforma cada parente em sócio de uma marca tóxica.
Perguntas e Respostas
Quem são os donos da nova empresa com o nome Bolsonaro?
Letícia Marianna, filha de Michelle, e Carlos Eduardo Torres, irmão da ex-primeira-dama, ambos com vínculos políticos ativos.
O que a loja comercializa?
Produtos variados com a marca Bolsonaro: roupas, joias, brinquedos e itens para casa.
Letícia ocupa cargo público?
Sim. Ela está lotada no governo de Santa Catarina, com salário aproximado de R$ 13 mil.
A nova empresa é ligada ao ex-presidente?
Formalmente, não. Mas se insere na rede de negócios privados vinculados à família Bolsonaro.
Outros membros da família têm empresas?
Sim. Jair, Eduardo e Flávio Bolsonaro já são sócios de empreendimentos voltados à exploração comercial de seu capital político.

