Brasília — 1º de agosto de 2025 — A maioria da população brasileira apoia as medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a Jair Bolsonaro (PL), segundo pesquisa do Datafolha divulgada nesta sexta-feira. Entre as ações determinadas pela Corte estão o uso de tornozeleira eletrônica, toque de recolher noturno e proibição de uso de redes sociais.
Apoio varia por escolaridade, renda e região
O levantamento aponta que 55% dos brasileiros consideram corretas as medidas aplicadas ao ex-presidente. O índice é mais alto entre pessoas com ensino fundamental ou médio (59%) e entre aquelas com renda de até dois salários mínimos (57%). Já entre os que cursaram ensino superior, o apoio cai para 51%.
No Nordeste, região onde Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem seu maior reduto eleitoral, o apoio às medidas atinge 63%. Por outro lado, entre evangélicos, grupo que compõe uma das principais bases de apoio de Bolsonaro, 56% rejeitam as ações do STF.
As diferenças também aparecem entre gêneros: 44% dos homens desaprovam as medidas, contra 38% das mulheres. A desaprovação convicta chega a 32%, enquanto 44% dos que apoiam dizem fazê-lo com convicção.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com mais de 16 anos, em 130 cidades, entre os dias 29 e 30 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
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Contexto: tornozeleira e risco de fuga
As medidas cautelares contra Jair Bolsonaro foram impostas há cerca de duas semanas, como parte das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado para manter o ex-presidente no poder após a derrota nas eleições de 2022. Ele se tornou réu nesse processo, cujo julgamento está previsto para setembro.
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, foi motivada por indícios de risco de fuga. Em 2024, Bolsonaro passou dois dias hospedado na Embaixada da Hungria, em Brasília, após ter seu passaporte apreendido pela Polícia Federal (PF). Investigadores interpretaram o episódio como tentativa de asilo diplomático.
Na residência do ex-presidente, foram encontrados dólares em espécie, o que reforçou a suspeita de preparação para uma possível evasão.
Crise com EUA e interferência de Eduardo Bolsonaro
As sanções ao ex-mandatário ocorreram em meio a uma crise diplomática com os Estados Unidos (EUA). O presidente norte-americano Donald Trump, em seu segundo mandato, decretou um aumento de tarifas de importação de 50% sobre produtos brasileiros, alegando perseguição política contra Bolsonaro.
O Supremo Tribunal Federal entendeu que havia risco real de fuga, diante das articulações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, com setores trumpistas nos EUA. A atuação foi interpretada como parte de uma ofensiva internacional para deslegitimar as investigações.
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Bolsonaro desafia restrições e expõe tornozeleira
Mesmo após as restrições impostas pelo STF, Jair Bolsonaro voltou a tensionar sua situação jurídica. Em uma entrevista recente, o ex-presidente exibiu publicamente a tornozeleira eletrônica, gesto interpretado como violação da proibição de se manifestar em redes sociais, ainda que de forma indireta.
O ministro Alexandre de Moraes avaliou o ato como provocação e chegou a considerar a expedição de nova ordem de prisão contra Bolsonaro, medida que, até o momento, não foi efetivada.
Entenda a repercussão das medidas contra Bolsonaro
Por que o STF aplicou tornozeleira e restrições a Bolsonaro?
As medidas cautelares foram adotadas devido ao risco de fuga identificado pela Polícia Federal, especialmente após Bolsonaro se hospedar na Embaixada da Hungria, sem aviso prévio, e pela apreensão de seu passaporte. Também pesaram suas articulações com aliados internacionais.
Quais são as principais restrições aplicadas ao ex-presidente?
As medidas incluem o uso de tornozeleira eletrônica, toque de recolher noturno, proibição de acesso e publicação em redes sociais e restrição de contato com investigados.
O que diz a defesa de Jair Bolsonaro?
A defesa do ex-presidente nega qualquer tentativa de fuga e afirma que as medidas são desproporcionais. Alegam ainda que a visita à embaixada foi apenas protocolar, sem intenções políticas.
Como a base bolsonarista reagiu?
Aliados de Bolsonaro, especialmente parlamentares do PL, acusam o STF de perseguição política. Nas redes sociais, influenciadores bolsonaristas tentam mobilizar a opinião pública contra as decisões judiciais.
A tornozeleira pode levar à prisão preventiva?
Sim. O descumprimento das restrições — como o uso midiático da tornozeleira — pode ser interpretado como violação das medidas, o que pode motivar o STF a decretar prisão preventiva, conforme análise jurídica em curso.
Desdobramentos e riscos institucionais
O episódio reacende o debate sobre limites institucionais e responsabilização de ex-presidentes, colocando o Supremo Tribunal Federal no centro de uma disputa política e jurídica intensa. A movimentação de Donald Trump ao ampliar tarifas contra o Brasil também revela o impacto internacional da crise.
Caso Bolsonaro insista em tensionar as restrições, o STF poderá adotar novas medidas, incluindo prisão preventiva. A postura do ex-presidente será decisiva para o andamento do processo que o julgará por tentativa de subversão da ordem democrática.

