Negado

Luiz Fux nega prisão domiciliar humanitária para Daniel Silveira

Defesa alegava risco de infecção após cirurgia, mas STF rejeitou habeas corpus por impedimento jurídico
Daniel Silveira - Foto: Agência Brasil
Daniel Silveira - Foto: Agência Brasil
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Brasília, 4 de agosto de 2025 — O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou nesta segunda-feira um pedido de “prisão domiciliar humanitária” feito pela defesa do ex-deputado Daniel Silveira (PL-RJ).

A solicitação buscava a transferência do ex-parlamentar para um hospital particular após uma cirurgia no joelho.


Pedido da defesa ignora restrições legais do STF

A decisão de Fux baseou-se na Súmula 606 do STF, que impede a análise de habeas corpus contra decisões de ministros da própria Corte. Segundo o despacho, o pedido era juridicamente incabível.

A defesa de Silveira argumentava que ele apresentava suspeita de infecção articular grave, com risco elevado à saúde, e que o sistema prisional não ofereceria condições adequadas para o tratamento pós-cirúrgico.

O laudo anexado ao processo afirmava que a Colônia Agrícola de Magé, no Rio de Janeiro, não possui estrutura física, equipe especializada ou serviços de fisioterapia.


Moraes já havia autorizado cirurgia e aguarda laudo oficial

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso de Daniel Silveira, autorizou a cirurgia realizada em julho e aguarda informações técnicas atualizadas para avaliar o próximo passo do tratamento.

Segundo decisão anterior, qualquer mudança de regime — inclusive o tratamento fora do sistema penitenciário — depende de avaliação médica oficial e de pareceres das autoridades responsáveis pela unidade prisional.

A negativa de Luiz Fux reforça o entendimento da Corte sobre a impossibilidade de contornar decisões colegiadas por vias paralelas, como habeas corpus fora do trâmite regimental.


Histórico de confrontos e violações judiciais

Daniel Silveira cumpre pena desde 2023, após ser preso novamente por descumprir regras da liberdade condicional. A condenação original, de 2022, se deu por ameaças ao STF e incitação contra a democracia, com base em declarações e vídeos publicados pelo então deputado.

Segundo documentos judiciais, Silveira já acumula 227 violações de medidas cautelares, incluindo o uso indevido de redes sociais, contato com investigados e obstruções à fiscalização eletrônica.

O ex-parlamentar foi um dos principais símbolos da ala mais radical do bolsonarismo, chegando a desafiar abertamente o Judiciário, inclusive dentro do próprio Congresso.


O que está em jogo

Por que o pedido foi negado?

Porque a Súmula 606 do STF impede que um ministro analise habeas corpus contra decisão de outro ministro da Corte.

Qual era o argumento da defesa?

Que o ex-deputado corria risco de infecção após cirurgia e não teria acesso ao tratamento adequado no presídio.

Onde Silveira está preso?

Na Colônia Agrícola de Magé, no estado do Rio de Janeiro, sob regime semiaberto.

Moraes ainda pode autorizar a transferência?

Sim. Alexandre de Moraes aguarda laudo oficial sobre as condições da unidade antes de decidir sobre possível mudança no regime de cumprimento de pena.

Qual o histórico de Silveira com o STF?

Ele foi condenado por ataques ao STF, reincidiu em violações de medidas cautelares e já soma mais de 200 descumprimentos registrados oficialmente.


Recorrência de pedidos excepcionais escancara privilégio político

O caso expõe novamente a tentativa de setores do bolsonarismo de transformar condenações judiciais em palco de disputa política. Embora o argumento médico tenha sido apresentado, o histórico de desrespeito à Justiça e a insistência em recorrer a brechas jurídicas colocam sob suspeita o caráter emergencial do pedido.

O STF manteve uma posição coerente com seu entendimento legal, especialmente diante de um réu reincidente em violações e com histórico de agressão verbal ao próprio tribunal.

A expectativa, agora, recai sobre a avaliação técnica solicitada por Alexandre de Moraes. Caso confirmada a inviabilidade médica da permanência na unidade prisional, o tratamento poderá ser viabilizado sem que isso implique impunidade ou privilégio indevido.

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