Brasília, 7 de agosto de 2025 — O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), negou nesta quarta-feira ter firmado qualquer compromisso para pautar o projeto de anistia aos golpistas de 8 de Janeiro, contrariando declarações de deputados da oposição. A negativa ocorre após o fim da ocupação da Mesa Diretora por bolsonaristas, que pressionavam pela votação.
Líderes citaram suposto acordo com Motta
Parlamentares dos partidos PL, Novo, PP, União Brasil e PSD alegaram que houve um acerto com Motta para colocar a proposta em votação. Segundo relatos, o suposto acordo teria sido articulado para encerrar o protesto de deputados da oposição, que ocupavam o plenário desde terça-feira à noite.
Hugo Motta, no entanto, rejeitou a versão apresentada. De acordo com fontes próximas ao presidente da Câmara, ele afirmou que não houve qualquer compromisso para pautar a proposta de anistia, que trata da absolvição de envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes, ocorridos em Brasília, em 8 de janeiro de 2023.
A interlocutores, Motta declarou que o entendimento foi firmado apenas entre os líderes partidários, sem sua participação direta. Alguns parlamentares da oposição confirmaram essa versão, indicando que o nome do presidente foi usado para dar legitimidade a uma articulação interna das bancadas.
Motta foi impedido de assumir a presidência da sessão
Na noite de terça-feira, durante tentativa de abrir a sessão plenária, Hugo Motta foi barrado por Marcel van Hattem (Novo-RS), que ocupava a cadeira da presidência em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. O gesto elevou a tensão no plenário, já tomado por oposicionistas.
Após uma breve conversa, Van Hattem permitiu que Motta assumisse seu lugar. Ainda assim, outros deputados permaneceram de pé diante da Mesa, ignorando pedidos para liberar o espaço.
Mesmo diante do impasse, Motta convocou sessão para as 20h30. Quando retornou ao plenário, por volta das 21h30, encontrou a Mesa ainda tomada por bolsonaristas. A Polícia Legislativa foi mobilizada para garantir o acesso, e o presidente avisou que suspenderia o mandato de quem tentasse impedir a sessão.
Com a resistência mantida por parte da oposição, Motta conseguiu retomar a cadeira da presidência e dar início aos trabalhos legislativos.
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Entenda o caso
O que motivou a ocupação do plenário?
Deputados bolsonaristas protestaram contra decisões do STF, especialmente as medidas impostas a Jair Bolsonaro. Exigiam a votação do projeto de anistia.
Qual é o conteúdo da proposta de anistia?
O projeto visa perdoar participantes dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, classificados como atentados à ordem democrática.
Houve acordo formal para a votação?
Segundo Hugo Motta, não. O entendimento partiu apenas entre líderes partidários, sem chancela da presidência da Câmara.
Qual foi o papel de Marcel van Hattem?
O deputado do Novo-RS impediu temporariamente a entrada de Motta na presidência da sessão, como forma de protesto.
E agora, qual o próximo passo?
A pauta segue indefinida. Apesar da pressão da oposição, a presidência da Câmara ainda não incluiu a anistia na ordem do dia.
Pressão bolsonarista e desafios institucionais
A negativa de Hugo Motta explicita o esvaziamento da articulação bolsonarista dentro do Congresso, mesmo com a presença majoritária da oposição em comissões e blocos parlamentares. A tentativa de forçar a pauta da anistia, sem apoio formal da presidência da Casa, expõe a limitação tática do grupo.
Nos bastidores, aliados de Motta avaliam que qualquer avanço do projeto pode representar novo confronto com o Supremo Tribunal Federal, especialmente com o ministro Alexandre de Moraes, que tem reiterado a ilegalidade de anistiar crimes contra a democracia.
Com o retorno das sessões e a normalização do funcionamento da Câmara, cresce a pressão para que o presidente da Casa atue como mediador e não ceda à radicalização.

