Brasília — 7 de agosto de 2025 — O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ameaçou apresentar um pedido de impeachment contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após o senador sinalizar que não vai dar seguimento à solicitação de afastamento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ameaça acontece em meio a uma ofensiva bolsonarista que tenta reagir à decretação da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A reação de Nikolas e o impasse no Senado
O impasse ganhou força depois que Alcolumbre afirmou a aliados que não pautará o impeachment de Moraes “nem com 81 assinaturas”, desconsiderando a pressão de parte da oposição. Em resposta, Nikolas publicou em seu perfil na rede X: “Então serão dois impeachments”, em alusão direta à possível inclusão do nome do senador em uma nova ofensiva da extrema direita.
Ainda nesta semana, senadores bolsonaristas afirmaram ter conseguido 41 assinaturas para o pedido contra o ministro, segundo o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN). A última adesão foi a do senador Laércio Oliveira (PP-SE).
Impeachment de ministros do STF é inédito no Brasil
Embora o Senado tenha poder constitucional para processar ministros do STF, nunca houve impeachment efetivado desde a fundação da Corte. O único caso semelhante foi em 1894, com Cândido Barata Ribeiro, que teve sua nomeação rejeitada antes mesmo da posse.
Ao todo, 48 pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes já foram protocolados desde 2001. No total, o Senado recebeu 176 solicitações contra ministros do STF nas últimas décadas, nenhuma delas aceita.
Mais uma vez, analistas veem como improvável o avanço de qualquer proposta nesse sentido. Para que o processo seja iniciado, é necessário que Alcolumbre aceite o pedido e que 54 dos 81 senadores aprovem a medida, o que é considerado inviável mesmo por parlamentares do PL.
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Por que Nikolas ameaçou o Senado?
Nikolas Ferreira acusa Davi Alcolumbre de blindar o Supremo ao recusar a análise do pedido de impeachment de Alexandre de Moraes. Para ele, isso fere a independência entre os Poderes.
Quantas assinaturas a oposição já obteve?
Segundo o senador Rogério Marinho, o grupo pró-Bolsonaro reuniu 41 assinaturas. O número é insuficiente, mas representa quase metade do Senado.
Qual a chance de Moraes ser afastado?
Mesmo com apoio parcial, especialistas avaliam que a chance de afastamento é nula. A decisão depende do presidente do Senado e de dois terços dos parlamentares.
Essa pressão tem ligação com Bolsonaro?
Sim. A movimentação foi intensificada após a decretação da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, vista por aliados como “perseguição política”.
Qual é o “pacote da paz”?
Proposto por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), inclui: anistia aos golpistas de 8 de janeiro, PEC contra foro privilegiado e impeachment de ministros do STF.
Pressão da extrema direita testa limites institucionais
A nova ofensiva bolsonarista, agora com foco no Senado Federal, evidencia o esforço do grupo em deslegitimar as decisões do STF e em reverter os efeitos jurídicos das investigações contra Jair Bolsonaro. A radicalização do discurso nas redes e a ameaça direta a lideranças do Legislativo aumentam a tensão institucional e devem gerar reações tanto no Supremo quanto no Congresso.
A articulação pode não prosperar juridicamente, mas reforça a estratégia eleitoral de manter a militância mobilizada, especialmente no ambiente digital, e de tensionar as relações entre os Poderes até as eleições municipais de 2026.

