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Júlia Zanatta é alvo no Conselho de Ética após usar bebê como escudo humano em motim na Câmara

Deputada do PL levou bebê ao plenário em protesto que líderes apontam como parte de ação golpista
Julia Zanatta e Michelle Bolsonaro
Julia Zanatta e Michelle Bolsonaro
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Brasília — 8 de agosto de 2025 — O deputado Túlio Gadêlha (REDE-PE) protocolou representação no Conselho de Ética contra a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) por quebra de decoro parlamentar, após a bolsonarista participar de protesto no Congresso Nacional levando a filha recém-nascida e ocupando a cadeira da presidência da Câmara dos Deputados.


Denúncia mira uso político de criança em ato no Congresso

A ação do líder da REDE pede investigação e eventual cassação do mandato de Júlia Zanatta. A iniciativa ganhou apoio de parlamentares progressistas e motivou manifestação do Conselho Tutelar, que expressou preocupação com a presença da criança em um ambiente marcado por tensão política e risco à integridade física.

Segundo Gadêlha, o episódio extrapola divergências partidárias e configura uso político de uma criança para blindar ações de confronto institucional. Ele enquadrou a conduta no contexto de um movimento que busca “subverter a ordem democrática por meios ilegais e articulações internacionais”.


Envolvimento de Marcos Pollon agrava denúncia

A representação também inclui o deputado Marcos Pollon (PL-MS), que participou da ocupação e foi o último a deixar a cadeira da presidência. Pollon proferiu insultos contra o deputado Arthur Motta, chamando-o de “bosta” e “baixinho de um metro e 60”. Para Gadêlha, as ofensas revelam o caráter hostil e golpista da ação.

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Defesa tenta minimizar impacto

Nas redes sociais, Júlia Zanatta alegou que as críticas seriam tentativa de “desqualificar seu trabalho como mulher e parlamentar”. Disse que levou a bebê por estar em fase de amamentação e negou ter usado a criança como escudo. A estratégia discursiva, porém, foi classificada por adversários como manobra de vitimização para deslocar o foco das acusações de afronta ao regimento e ao decoro.


O que está em jogo

1. Por que a denúncia é grave?
A acusação envolve uso de uma criança em ato político e possível violação ao Código de Ética da Câmara.

2. Qual o contexto político?
O protesto integra a agenda de parlamentares alinhados ao bolsonarismo, que têm intensificado ataques ao STF e à ordem constitucional.

3. Há precedente?
Ocupações simbólicas e discursos inflamados já ocorreram, mas levar criança a um ato dessa natureza é fato inédito no Legislativo brasileiro.


Desdobramentos possíveis

O Conselho de Ética deverá analisar o caso nas próximas semanas. Se aceitar a denúncia, abrirá processo que pode levar à cassação do mandato. O episódio reforça o uso de táticas midiáticas pelo PL e expõe a aposta de setores bolsonaristas na escalada de confrontos para tensionar as instituições democráticas.

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