Por que não foi cassado?

Hugo Motta critica Eduardo Bolsonaro: ‘interesse pessoal’

Presidente da Câmara condena ida do deputado para atuar contra instituições e economia brasileiras
Hugo Motta - © Lula Marques/Agência Brasil
Hugo Motta - © Lula Marques/Agência Brasil
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), criticou duramente a permanência de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos e sua articulação para fragilizar instituições brasileiras.

Em entrevista à GloboNews, Motta classificou a conduta como incompatível com o exercício parlamentar e prejudicial à economia nacional.

Conduta incompatível com o mandato

Motta afirmou que não existe previsão regimental para exercício remoto do cargo e que Eduardo, ao viajar para os EUA, sabia que sua decisão contrariava a função parlamentar. “Não há deputado à distância. Quando ele decidiu ir cumprir o papel que acha correto, sabia que era incompatível com o exercício”, declarou.

O presidente da Câmara ponderou que discordar de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) é legítimo, mas destacou que a atuação de Eduardo contra o país ultrapassa qualquer divergência política. “Não podemos colocar o interesse pessoal acima do país. Quando o trabalho prejudica empresas e nossa economia, não acho razoável. É uma atitude com a qual temos total discordância.”

Rejeição a privilégios e mudanças regimentais

Hugo Motta reforçou que não pretende permitir que Eduardo mantenha o mandato à distância. Segundo ele, mudar o regimento para essa finalidade criaria uma “excepcionalidade injustificável”. Para o presidente da Câmara, a ida do deputado aos EUA foi uma “escolha política” que fragiliza o Brasil e não é apoiada nem por todos dentro do PL.

Articulação externa e sanções

Desde fevereiro de 2025, Eduardo Bolsonaro atua em território norte-americano para obter apoio do presidente Donald Trump a medidas punitivas contra autoridades brasileiras. Entre as ações defendidas está a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes do STF, dispositivo usado para sancionar estrangeiros acusados de violações de direitos humanos. Motta classificou a ofensiva como parte de uma agenda de ataques às instituições democráticas, alinhada a estratégias da extrema direita internacional.

Recomendadas