O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teve quatro pedidos de cassação encaminhados ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). As representações, que estavam paradas na Mesa Diretora, foram apresentadas por três partidos do PT e um do PSOL, e pedem a perda do mandato por atuação considerada golpista e contrária aos interesses do Brasil nos Estados Unidos.
Conselheiro avalia pedidos antes de instauração
O presidente do Conselho de Ética, Fábio Schiochet (União-SC), informou que ainda não há previsão para abertura formal dos processos. “As representações acabaram de chegar. Vou analisar caso por caso antes de falar em prazos”, afirmou. Schiochet acrescentou que a instalação dos processos não deve ocorrer na próxima semana devido ao volume de representações pendentes.
De acordo com as regras da Câmara, após o recebimento, o conselho se reúne para instaurar o processo, sorteia três nomes para indicação do relator e notifica o deputado denunciado para apresentação da defesa inicial. O relator é responsável por apresentar parecer sobre o prosseguimento ou arquivamento do caso.
Eduardo Bolsonaro atua nos EUA e sofre investigação
Desde fevereiro de 2025, Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos e se reuniu com representantes do governo americano, sendo apontado como um dos responsáveis pela decisão de Donald Trump de sobretaxar exportações brasileiras. Ele é investigado pelo STF por tentar influenciar processos contra o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nas últimas semanas, o deputado afirmou que Hugo Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), estariam na mira de novas punições do governo americano, condicionando recuos à concessão de anistia sobre condenações relacionadas aos ataques às sedes dos Três Poderes em Brasília. “Eles já estão no radar, e as autoridades americanas têm clara visão do que está acontecendo no Brasil”, declarou à BBC News.
Motta critica atuação e descarta regimento à distância
O presidente da Câmara, Hugo Motta, já havia sinalizado prosseguimento das denúncias e classificou a permanência de Eduardo nos Estados Unidos como “incompatível com o exercício parlamentar”. “Não podemos colocar o interesse pessoal acima do país. Discordar é natural, agora agir contra o país prejudica empresas e nossa economia. É uma atitude que exige total discordância”, afirmou à GloboNews.
Motta descartou qualquer alteração do regimento interno para permitir o mandato à distância, ressaltando que a ida de Eduardo aos EUA foi uma “escolha política”.

