O pastor Silas Malafaia, aliado histórico de Jair Bolsonaro (PL), recuou do tom agressivo que vinha adotando contra o Supremo Tribunal Federal (STF).
O líder religioso passou a pedir orações públicas depois de ser incluído em um inquérito da Polícia Federal (PF) que apura articulações golpistas e tentativas de ingerência estrangeira no Judiciário brasileiro.
O episódio marca uma guinada brusca de comportamento: de incendiário nas ameaças, Malafaia agora expõe temor de prisão.
Investigação mira rede bolsonarista
A mudança ocorre após a inclusão de Malafaia no mesmo procedimento que investiga Jair Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o comentarista Paulo Figueiredo.
O inquérito foi instaurado a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e tem como foco pressões ilegais contra ministros do STF, com destaque para os ataques dirigidos a Alexandre de Moraes.
Segundo os investigadores, Malafaia atuava como mobilizador da base bolsonarista em manifestações que buscavam constranger magistrados.
Vídeos e discursos do pastor teriam sido usados para criar ambiente de intimidação contra autoridades do Judiciário, reforçando a narrativa golpista de Bolsonaro e aliados.
Pressões externas e riscos à democracia
A PF apura indícios de que a rede bolsonarista tentou envolver o governo dos Estados Unidos, presidido por Donald Trump, em pressões contra o STF.
Essa articulação internacional se somaria a uma série de atos voltados à obstrução de investigações e à tentativa de minar o processo penal que atinge Bolsonaro.
No dia 3 de agosto, Malafaia teria participado da organização do ato pró-Bolsonaro que ganhou destaque quando o ex-presidente apareceu em vídeo divulgado por aliados. A exibição resultou na decretação de prisão domiciliar de Bolsonaro no dia seguinte.
A atuação coordenada de líderes religiosos e políticos é apontada pelos investigadores como parte de um projeto de intimidação que ultrapassa fronteiras, dialogando diretamente com agendas da extrema direita global.
Apelo público em tom de fragilidade
Acostumado a vociferar contra ministros do STF e a usar o púlpito como palanque político, Malafaia mudou de estratégia ao sentir o cerco se fechar.
Em culto realizado na sexta-feira (15), o pastor surpreendeu ao pedir “orações pelo Brasil e por mim”. O discurso, marcado pela hesitação, destoa da postura desafiante que o caracterizou ao longo dos últimos anos.
Para analistas ouvidos pela reportagem, a súbita moderação do pastor revela o impacto da ação da Justiça e reforça a importância da responsabilização de lideranças que usaram a fé como arma política para corroer instituições democráticas.
Enquanto isso, o inquérito segue avançando, mirando a engrenagem de desinformação e intimidação que sustentou o bolsonarismo em momentos críticos para a democracia brasileira.

