A bancada bolsonarista na Câmara dos Deputados anunciou nesta terça-feira (19) que vai obstruir a votação do requerimento de urgência do Projeto de Lei nº 2.628/2022, o chamado PL da Adultização. A proposta, que trata da proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, foi levada ao plenário pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), após reunião com líderes partidários.
Bolsonaristas atuam a serviço das plataformas
Parlamentares da extrema-direita acusam o governo de usar o projeto como “pretexto para censura”, mas admitem agir sob influência das big techs. A própria líder da Minoria, Carol de Toni (PL-SC), declarou que recebeu pedidos das plataformas digitais para barrar a proposta:
“Fui abordada hoje pelas plataformas e há um excesso de regulamentação. Usa-se o pretexto de combater a sexualização de crianças para controlar as big techs e as plataformas, por meio de uma autoridade que terá poder indiscriminado”, disse.
Já o líder do Novo, Marcel Van Hattem (RS), repetiu o discurso bolsonarista de “censura”, mesmo reconhecendo que o PL trata de crimes como pedofilia e exposição ilegal de crianças.
Governo pressiona por urgência
Com a urgência em pauta, o projeto pode ser votado diretamente em plenário, sem passar pelas comissões temáticas. A análise foi marcada para esta quarta-feira (20). Se confirmada, será a segunda obstrução da oposição neste semestre, estratégia usada para travar projetos prioritários da base governista.
Paralelamente, Hugo Motta incluiu outro projeto na agenda, que muda o regimento interno da Câmara para punir deputados que invadirem o plenário com até seis meses de suspensão — medida que mira diretamente nas ações golpistas recentes da oposição.
PL ganha força após denúncia de Felca
O PL da Adultização ganhou destaque após denúncia feita pelo youtuber Felipe Bressanim Pereira, o Felca, que publicou em 6 de agosto um vídeo de quase 50 minutos denunciando a exposição precoce de crianças e adolescentes nas redes. A repercussão obrigou o presidente da Câmara a se manifestar nas redes, classificando o tema como “urgente”.
Com a obstrução, a extrema-direita deixa claro que prefere blindar os interesses das big techs do que proteger crianças da exploração digital.

