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Itália nega prisão domiciliar para Carla Zambelli, que seguirá na cadeia

Tribunal de Roma acatou argumentos da AGU e reforçou legalidade da prisão da deputada bolsonarista, condenada pelo STF a 10 anos de cadeia
Carla Zambelli, bolsonarista presa na Itália. Foto: reprodução
Carla Zambelli, bolsonarista presa na Itália. Foto: reprodução
Por Evaristo De Paula
Evaristo De Paula Colaborador
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

A Justiça italiana negou o pedido da defesa de Carla Zambelli (PL-SP) para converter sua prisão em regime domiciliar. A deputada bolsonarista segue detida no presídio feminino de Rebibbia, em Roma, onde está desde julho, após ser localizada pela polícia italiana.

O Tribunal de Apelações de Roma manteve a prisão cautelar da parlamentar, condenada no Brasil a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão reforça a validade da Difusão Vermelha da Interpol, que foi emitida a partir de ordem judicial do STF e resultou em sua captura na capital italiana.

STF condenou Zambelli por invasão ao CNJ e falsidade ideológica

Zambelli foi condenada por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em ação articulada com o hacker Walter Delgatti Neto, além de falsidade ideológica. Após a sentença, ela fugiu do Brasil e se refugiou na Itália, mas acabou localizada e presa.

A Advocacia-Geral da União (AGU) teve papel decisivo no processo, enviando documentos e argumentos jurídicos que confirmaram a legalidade da prisão para fins de extradição.

“Os elementos fornecidos pelo Brasil foram decisivos para que a Justiça italiana rejeitasse a tentativa da defesa de deslegitimar a Difusão Vermelha”, destacou a AGU em nota oficial.

Defesa tentou alegar doença rara

O advogado Fábio Pagnozzi argumentou que a deputada não oferecia risco de fuga, já estava com o passaporte apreendido e deveria aguardar o processo em um apartamento em Roma, sob medidas cautelares.

A defesa também alegou que Zambelli sofre de Síndrome de Ehlers-Danlos, doença rara que causa frouxidão nos músculos e articulações, pedindo sua transferência para prisão domiciliar.

O tribunal, no entanto, manteve a detenção, mas determinou a realização de uma perícia médica oficial. O resultado será avaliado em 27 de agosto, quando os magistrados decidirão se a prisão continuará no presídio de Rebibbia ou se poderá ser flexibilizada.

Extradição segue em análise

Enquanto isso, o processo de extradição segue em andamento. Zambelli, aliada fiel do ex-presidente Jair Bolsonaro, ainda tenta evitar sua transferência para o Brasil, onde deverá cumprir a pena de 10 anos de prisão imposta pelo STF.

Mesmo após ter passado mal em audiência no início do mês e ser levada ao hospital, Zambelli retornou ao presídio. Segundo sua defesa, “os problemas de saúde são agravados pelo encarceramento”.

Com a decisão italiana, a deputada segue isolada e com futuro cada vez mais incerto.


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