Brasília, 20 de agosto de 2025 – O ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto desrespeitou medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e manteve contato com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo relatório da Polícia Federal (PF) encaminhado nesta quarta-feira ao STF.
Ambos são investigados no inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado e estavam proibidos de se comunicar desde fevereiro de 2024.
Mensagem direta após operação
Um dia depois de serem alvo de operação da PF, Braga Netto enviou uma mensagem de texto a Bolsonaro informando um novo número de celular:
“Estou com este número pré-pago para qualquer emergência. Não tem zap. Somente FaceTime. Abs Braga Netto.”
Para a PF, a iniciativa configura descumprimento direto da ordem judicial. O relatório afirma que “os elementos probatórios corroboram a hipótese de que os réus Jair Bolsonaro e Walter Souza Braga Netto descumpriram as medidas cautelares de proibição de manter contato durante a investigação”.
Mensagens apagadas e obstrução
Além do contato com Braga Netto, a PF recuperou mensagens e áudios apagados do celular de Bolsonaro, incluindo trocas com o pastor Silas Malafaia e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Esses registros reforçam indícios de tentativa de obstrução de Justiça e intimidação de autoridades envolvidas na investigação.
Pressão política e risco jurídico
Braga Netto, que foi candidato a vice na chapa de Bolsonaro em 2022, é apontado como figura central no núcleo político-militar da tentativa de subverter o resultado das eleições. A violação da medida cautelar aumenta o risco de endurecimento das restrições impostas pelo STF, incluindo possível prisão preventiva.
O episódio também fragiliza a narrativa de Bolsonaro e aliados sobre perseguição política, já que a proibição de comunicação entre investigados foi expressamente determinada pelo Supremo.
Agora, caberá ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no STF, decidir se novas sanções serão aplicadas a Bolsonaro e Braga Netto.

