Brasília – 21 de agosto de 2025 – O ex-presidente Jair Bolsonaro tornou-se alvo iminente de prisão preventiva, após relatório da Polícia Federal apontar descumprimento de medidas cautelares, tentativa de obstrução de investigações e risco concreto de fuga. O documento foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a menos de duas semanas do julgamento que pode condená-lo por tentativa de golpe de Estado.
Rede de mensagens clandestinas expõe desobediência
De acordo com a investigação, Bolsonaro enviou mais de 300 mensagens e vídeos pelo WhatsApp desde 21 de julho, quando o STF proibiu o uso de redes sociais. A Polícia Federal concluiu que o ex-presidente usava o esquema para “burlar a ordem judicial e manter a retransmissão de conteúdos”, em clara violação das medidas impostas.
As mensagens seguiam o padrão das chamadas milícias digitais: disparo em massa, multiplicidade de canais, velocidade de difusão e uso de figuras públicas para dar credibilidade às narrativas. Para os investigadores, o mecanismo reforça a caracterização de organização criminosa voltada à desinformação e coação institucional.
Pedido de asilo a Milei reforça risco de fuga
Materiais recuperados em celulares apreendidos revelaram um rascunho de pedido de asilo político à Argentina, endereçado ao presidente Javier Milei. A descoberta foi considerada pela PF prova objetiva de tentativa de fuga, enquadrando-se nos fundamentos previstos no artigo 312 do Código de Processo Penal para decretação de prisão preventiva.
Malafaia como conselheiro e interlocutor de Trump
Áudios atribuídos ao pastor Silas Malafaia mostram sua atuação como conselheiro político de Bolsonaro, com articulações junto a aliados de Donald Trump. As conversas revelam tentativas de influenciar decisões do STF e pressionar pela concessão de uma “anistia” que extinguisse processos.
Diante das evidências, o ministro Alexandre de Moraes determinou a apreensão do celular e do passaporte de Malafaia.
Manobras financeiras suspeitas envolvendo Michelle e Eduardo
A PF também identificou movimentações financeiras incompatíveis. Um dia antes de depor sobre Eduardo Bolsonaro, o ex-presidente transferiu R$ 2 milhões para a conta da esposa, Michelle Bolsonaro, sem informar à autoridade policial. Em paralelo, Eduardo movimentou valores recebidos do pai por meio da conta da própria mulher, numa tentativa de ocultar patrimônio e evitar bloqueios judiciais.
Decisão sobre prisão preventiva está próxima
Juristas consultados avaliam que os requisitos para a prisão preventiva já estão configurados: descumprimento reiterado de medidas, risco de fuga e obstrução da justiça. Agora, Jair Bolsonaro terá de depor à Polícia Federal até sexta-feira, 22 de agosto.
O ministro Alexandre de Moraes também concedeu 48 horas para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o indiciamento de Bolsonaro e de Eduardo Bolsonaro. A decisão sobre a prisão pode ocorrer antes mesmo do julgamento final no Supremo Tribunal Federal.
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