Brasília – 22 de agosto de 2025. A Polícia Federal (PF) concluiu que Jair Bolsonaro (PL) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atuaram em conjunto com a defesa do ex-assessor Filipe Martins para “causar tumulto processual” no Supremo Tribunal Federal (STF). O relatório serviu de base para o indiciamento de pai e filho por obstrução, com risco de 43 anos de prisão para o ex-presidente.
Mensagens revelam articulação
Segundo a PF, o objetivo era “subverter a lógica jurisdicional” do julgamento da trama golpista. A investigação analisou mensagens de WhatsApp trocadas entre Jair e Eduardo, que discutiam o mandado de segurança protocolado pelo advogado Jeffrey Chiquini contra decisões do ministro Alexandre de Moraes.
O mandado questionava o andamento “a toque de caixa” das investigações, criticava indeferimentos de testemunhas e alegava “grave violação ao devido processo legal e à ampla defesa”.
Tentativa de influenciar o STF
O caso foi sorteado para o ministro André Mendonça, nomeado por Bolsonaro ao STF, animando bolsonaristas que esperavam reverter decisões de Moraes. Nas mensagens, Eduardo orientou o pai:
“Bom dia. Temos a oportunidade de mudar a relatoria da trama golpista. Mendonça pode ficar prevento das questões que irão para o plenário. Vitória gigante hoje. Precisamos que o Mendonça dê essa liminar”.
O deputado detalhou ainda estratégias do advogado Chiquini para cancelar audiência e suspender o processo até julgamento do agravo regimental. Jair Bolsonaro respondeu com áudio não recuperado e pediu contato telefônico com o filho.
PF descarta envolvimento de Mendonça
A PF ressaltou que não há “nenhum indício” de que Mendonça tivesse conhecimento das ações dos investigados. Integrantes do STF lembram que a jurisprudência não permite mandado de segurança contra decisão individual de um ministro, neste caso Alexandre de Moraes.
Mesmo sem êxito, o relatório aponta que pai e filho tentaram influenciar o STF, mas a ofensiva foi vista com ceticismo até por outros réus da trama golpista.
Núcleo 2 da trama golpista
Filipe Martins integra o núcleo 2 da trama, acusado de articular ações para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, junto a nomes como Silvinei Vasques e Marília Ferreira de Alencar

