Debilidade

Bolsonaro está debilitado e não comparecerá a julgamento no STF, diz advogado

Defesa aponta fragilidade de saúde do ex-presidente, que permanece em prisão domiciliar enquanto julgamento da trama golpista segue
O advogado Paulo Cunha Bueno e o ex-presidente Jair Bolsonaro | Fellipe Sampaio/STF
O advogado Paulo Cunha Bueno e o ex-presidente Jair Bolsonaro | Fellipe Sampaio/STF
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O advogado Paulo Cunha Bueno, que representa o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), confirmou nesta terça-feira (9) que o político não comparecerá ao julgamento na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), em que é acusado de liderar uma tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022. Segundo Bueno, Bolsonaro não apresenta condições de saúde para participar presencialmente, mesmo que desejasse.

“Não tem recomendação médica para isso, a saúde dele é debilitada”, afirmou o defensor ao chegar para a sessão.

Assim como Bolsonaro, nenhum dos outros sete réus compareceu ao primeiro dia de votação. O julgamento retoma hoje a análise do caso, que envolve o chamado núcleo crucial da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável pela tentativa de reverter o resultado eleitoral de 2022.


Cronograma da votação

O julgamento começou na semana passada, com as sustentações das defesas e a manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, favorável à condenação de todos os réus. A partir de hoje, inicia-se a votação que definirá a condenação ou absolvição, com sessões reservadas até sexta-feira (12).

A ordem de votação será:

  1. Alexandre de Moraes – relator do processo;
  2. Flávio Dino;
  3. Luiz Fux;
  4. Cármen Lúcia;
  5. Cristiano Zanin – presidente do colegiado.

Quem são os réus

Além de Bolsonaro, respondem na ação penal:

  • Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e deputado federal;
  • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal;
  • Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
  • Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto – ex-ministro da Defesa e candidato a vice na chapa de Bolsonaro em 2022;
  • Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Crimes imputados

Todos respondem pelos seguintes crimes:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado pela violência e grave ameaça;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

A ausência de Bolsonaro evidencia o impacto físico e emocional do processo sobre o ex-presidente, mas não altera a gravidade institucional do julgamento. A defesa utiliza o quadro clínico debilitado como argumento político, reforçando a narrativa de perseguição, enquanto a PGR mantém firme o caráter punitivo e simbólico do caso.

O julgamento representa um marco histórico no combate a tentativas de subversão da democracia, com a definição do destino do ex-presidente e aliados próximos capaz de influenciar não apenas o cenário jurídico, mas também o equilíbrio institucional e político do país.

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