Não Passarão

‘Dia histórico’: 11 de setembro, a condenação de Bolsonaro e a coincidência com Pinochet

Voto de Cármen Lúcia consolida condenação de ex-presidente em julgamento do STF; coincidência com 11 de setembro reforça simbolismo histórico

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
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Augusto Pinochet e Jair Bolsonaro - Reprodução Youtube

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi condenado nesta quinta-feira (11) pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes relacionados aos ataques de 8 de janeiro de 2023. A decisão histórica foi anunciada ao vivo por William Bonner no Jornal Nacional, marcando um episódio simbólico que coincidiu com o 11 de setembro, data de acontecimentos emblemáticos contra a democracia mundial.

Bonner contextualizou a data: “11 de setembro de 2025. 24 anos atrás, os atentados às Torres Gêmeas nos Estados Unidos deixaram o mundo perplexo. Se voltarmos mais na história, em 1973, num 11 de setembro, o general Augusto Pinochet venceu um golpe de Estado que submeteu o Chile a uma ditadura longa”. Em paralelo, no mesmo dia em 2025, Jair Bolsonaro se tornou o primeiro presidente da República do Brasil condenado por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes.

Contexto histórico e simbólico

O 11 de setembro chileno se tornou um símbolo do autoritarismo na América Latina. Naquele dia, forças militares chilenas, com apoio dos Estados Unidos, derrubaram e mataram o presidente Salvador Allende, instaurando uma ditadura de 17 anos sob Pinochet. Mais de 40 mil pessoas foram perseguidas, torturadas ou assassinadas. Bolsonaro, ainda deputado em 1998, chegou a declarar: “Pinochet fez o que tinha que ser feito. Ele matou muita gente, mas colocou ordem no Chile”.

A coincidência da data também remete aos ataques de 11 de setembro de 2001 nos EUA, quando a Al-Qaeda destruiu as Torres Gêmeas e atacou o Pentágono, iniciando décadas de guerra lideradas pelos americanos. Essa sobreposição de eventos reforça a dimensão simbólica do julgamento brasileiro, ocorrido justamente em um 11 de setembro.

Condenação de Bolsonaro e réus

O julgamento do STF analisou crimes graves: abolition violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe, incitação às Forças Armadas, associação criminosa e ameaça ao funcionamento das instituições republicanas.

Foram condenados:

  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República
  • Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin)
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal
  • Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência e delator da trama
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa
  • Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil

O voto decisivo que formou a maioria foi da ministra Cármen Lúcia, acompanhando o relator Alexandre de Moraes, Flávio Dino e o presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin. O ministro Luiz Fux foi o único a votar contra a condenação de Bolsonaro em todos os crimes.

Significado político e de gênero

A condenação de Bolsonaro, anunciada por uma ministra mulher, acrescenta simbolismo à decisão. Bolsonaro construiu trajetória marcada por falas machistas e misóginas, como ataques a deputadas, jornalistas e membros da família, reforçando a relevância histórica de sua derrota judicial diante de uma magistrada comprometida com a democracia e os direitos fundamentais.

O episódio representa também um marco de ruptura com a tradição de impunidade para golpistas no Brasil, diferenciando o país de outros regimes autoritários sul-americanos, como Chile, Argentina e Uruguai, que puniram agentes do Estado responsáveis por perseguições e assassinatos.

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JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.