Golpe em Curso

Hugo Motta articula “anistia light” para golpistas em reunião secreta

Presidente da Câmara reúne líderes da oposição em residência para negociar redução de penas de condenados por crimes contra democracia.
Hugo Motta - Foto: Marina Ramos
Hugo Motta - Foto: Marina Ramos
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O presidente da Câmara dos DeputadosHugo Motta (Republicanos-PB), convocou uma reunião secreta em sua residência nesta quarta-feira (17) com as principais lideranças da oposição bolsonarista para articular uma “anistia light” para condenados pelos ataques golpistas de 8 de Janeiro de 2023. Entre os presentes estavam Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)Luciano Zucco (PL-RS) e Carol de Toni (PL-SC).

O objetivo, revelado por fontes próximas às negociações, é aprovar um texto que reconfigure crimes como tentativa de golpe e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, reduzindo penas e diferenciando “líderes” de “executores” — uma manobra para liberar até mesmo os mentores intelectuais da tentativa de golpe, incluindo Jair Bolsonaro.

Os termos da negociata antidemocrática

A proposta em discussão, classificada como “o texto possível” por sua suposta viabilidade no Senado e no STF, inclui:

  • Redução drástica de penas para crimes contra a democracia;
  • Reconfiguração legal para que um crime seja absorvido pelo outro;
  • Diferenciação entre líderes e executores — uma farsa jurídica, já que a legislação já prevê graus de participação;
  • Anistia velada para financiadores e organizadores dos ataques.

Na prática, a medida não apenas liberaria centenas de condenados, mas reescreveria a legislação penal para garantir que futuras tentativas de golpe sejam punidas de forma mais branda.

Motta: o arquiteto da impunidade

Hugo Motta, que já havia atuado para aprovar a PEC da Blindagem na véspera, consolida-se como o principal operador da agenda bolsonarista no Congresso. Sua estratégia é clara: usar o cargo para chancelar a impunidade de criminosos que tentaram derrubar instituições democráticas.

A reunião ocorre no mesmo dia em que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, desabafou sobre a paralisia causada pela obsessão da oposição com pautas do Judiciário. Enquanto o país enfrenta crises econômicas e sociais, a base bolsonarista prioriza salvar seus líderes da cadeia.

O cinismo da “anistia light”

A expressão “anistia light” revela o cinismo do projeto: não se trata de justiça ou reconciliação, mas de um acerto de contas político para beneficiar aqueles que violaram a Constituição. É a legalização da impunidade para ricos e poderosos.

O modelo, segundo apurado, foi desenhado para evitar rejeição no STF — mas ignora que anistia a crimes de tentativa de golpe é inconstitucional, independentemente do adjetivo que se lhe atribua.

Organizações da sociedade civil e juristas já alertaram que qualquer forma de anistia a golpistas será combatida judicialmente. A pressão popular tende a crescer — assim como o risco de novas crises institucionais.

Hugo Motta e seus aliados apostam na desmobilização da sociedade. Cabe aos democratas provar que estão errados.


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