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Câmara aprova projeto que dificulta aborto legal em crianças

Deputados derrubam resolução que garantia prioridade a vítimas de estupro menores de idade; texto segue para o Senado
© Lula Marques/Agência Brasil
© Lula Marques/Agência Brasil
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (5) o projeto de lei que revoga a resolução do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) sobre diretrizes para o aborto legal em crianças e adolescentes vítimas de estupro.

O texto recebeu 317 votos favoráveis e 111 contrários e segue agora para análise do Senado Federal.

O que previa a resolução

A norma do Conanda, publicada em dezembro de 2024, determinava prioridade e acolhimento imediato para meninas e adolescentes vítimas de violência sexual, sem exigência de boletim de ocorrência ou autorização dos pais, conforme previsto na legislação penal.

No Brasil, o aborto é permitido em casos de estupro, risco de vida para a gestante ou anencefalia fetal.

Proposta é de autoria de Chris Tonietto (PL-RJ)

O projeto foi apresentado pela deputada Chris Tonietto (PL-RJ), com apoio de 45 parlamentares, em sua maioria ligados à bancada conservadora.

Tonietto argumentou que o Conanda “usurpou competências do Congresso” ao definir procedimentos sobre aborto e que a resolução “estimula a prática entre menores de idade sem consentimento familiar”.

Debate acalorado no plenário

A votação foi marcada por bate-boca entre parlamentares de esquerda e direita.
A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) rebateu as críticas, afirmando que a resolução do Conanda “protege meninas vítimas de abuso intrafamiliar”.

A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) classificou o projeto como “cruel e revitimizador”, enquanto Maria do Rosário (PT-RS) chamou a medida de “retrocesso civilizatório”.

Já apoiadores do texto, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Bia Kicis (PL-DF), defenderam que o projeto “protege o direito à vida e os valores familiares”.

Governo foi contra, mas também criticou resolução

Embora o governo Lula tenha orientado voto contrário ao projeto, o Ministério dos Direitos Humanos havia questionado a competência do Conanda para editar a norma, alegando que o conselho não pode criar regras além do que está previsto no Código Penal.

Próximos passos

Com a aprovação pela Câmara, o projeto será analisado pelo Senado Federal, que decidirá se confirma ou derruba definitivamente a resolução do Conanda.

Caso aprovado também pelos senadores, as diretrizes deixam de valer, encerrando a política de prioridade para meninas e adolescentes vítimas de violência sexual em procedimentos de aborto legal.

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