Família, Família

Michelle Bolsonaro descarta Carluxo e apoia Carol De Toni em SC

Ex-primeira-dama desafia núcleo bolsonarista e amplia o racha no PL de Santa Catarina, com impacto nas eleições de 2026.

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
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Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
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Michelle Bolsonaro e Carol De Toni. Foto: reprodução

A crise no PL ganhou novos contornos nesta semana após Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e líder do PL Mulher, declarar apoio público à deputada federal Carol De Toni (PL-SC).

Em meio à disputa interna pela vaga ao Senado em 2026, Michelle afirmou estar “fechada com Carol”, mesmo que isso signifique confrontar o poder de influência de Carlos Bolsonaro, o “filho 02” do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tenta viabilizar sua candidatura por Santa Catarina.


Michelle desafia o clã Bolsonaro e amplia o racha no PL

O gesto de Michelle foi lido como um recado direto ao vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e, indiretamente, ao próprio Jair Bolsonaro, que articula pessoalmente as candidaturas do grupo para o próximo pleito. A declaração da ex-primeira-dama, publicada nas redes sociais, consolidou sua projeção política independente dentro do bolsonarismo — um movimento que ameaça o controle centralizado da família sobre o Partido Liberal.

O embate escancara o racha entre duas alas do bolsonarismo: de um lado, o núcleo familiar e seus aliados ideológicos; do outro, o grupo feminino e religioso liderado por Michelle, que tem ganhado relevância entre as bases evangélicas e conservadoras do Sul.


Disputa por vaga no Senado e interferência do Progressistas

A crise começou após a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) revelar, em entrevista à Rádio São Bento, que a composição da chapa ao Senado em 2026 previa Esperidião Amin (PP) e Carol De Toni. Com a entrada de Carlos Bolsonaro no tabuleiro, Carol perdeu espaço e passou a considerar a saída do partido.

Campagnolo afirmou que o governador Jorginho Mello (PL) tenta manter a aliança com o Progressistas (PP), o que abriria espaço apenas para uma candidatura bolsonarista. O governador reforçou a ligação com o ex-presidente, declarando: “É o candidato do presidente Bolsonaro, então é o meu candidato também”.

Essa movimentação isolou Carol dentro do PL catarinense, levando Michelle a se posicionar. Segundo aliados, o gesto foi uma tentativa de “resgatar o protagonismo feminino no bolsonarismo” e conter o domínio político do clã presidencial.

Troca de acusações e clima de guerra nas redes

Após as declarações de Campagnolo, Carlos Bolsonaro reagiu com ataques nas redes sociais, chamando a parlamentar de “mentirosa”. A deputada respondeu afirmando que apenas “expôs o que o partido estava escondendo”. O conflito escalou quando Michelle Bolsonaro rompeu o silêncio e endossou publicamente o lado de Carol De Toni, reforçando a divisão interna do PL.

Acusar sua aliada de mentira é grave desrespeito. Se o que eu sei é mentira, revele a verdade”, retrucou Campagnolo. Ela também reafirmou que “a segunda vaga do PL foi prometida a Esperidião Amin”.

A crise expõe a fragilidade da estrutura partidária bolsonarista, construída em torno de lealdades pessoais e disputas de poder. Especialistas avaliam que o episódio em Santa Catarina antecipa o tipo de turbulência que pode marcar o processo eleitoral de 2026, sobretudo nos bastidores da direita.

Michelle busca consolidar poder próprio no bolsonarismo

A movimentação de Michelle revela um projeto político próprio. Fontes ligadas ao PL afirmam que ela pretende usar o PL Mulher como base para futuras candidaturas de perfis conservadores moderados, que não dependam diretamente da chancela de Jair Bolsonaro.

Essa estratégia tem eco nas redes e em grupos religiosos, onde Michelle aparece como símbolo de “honestidade e fé”, enquanto a imagem de Carlos enfrenta resistência devido a investigações e à associação com discursos extremistas.

Além disso, a aproximação de Carol De Toni com Michelle pode redesenhar alianças regionais em Santa Catarina e fragilizar o domínio de Jorginho Mello, que tenta equilibrar a fidelidade a Bolsonaro e a parceria com o PP.

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JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.