O senador e ex-juiz Sergio Moro (União-PR) decidiu atacar a jornalista Daniela Lima após a revelação de que ele determinou a instalação de um grampo ilegal contra uma autoridade com foro privilegiado. Segundo a reportagem publicada no UOL, a Polícia Federal (PF) encontrou documentos que comprovam a autorização do então juiz para o uso das escutas.
“Apesar dos factoides do dia publicados pela jornalista favorita do PT, foi acolhida emenda de minha autoria pelo senador Esperidião Amin, relator do PL da dosimetria, para que a redução de penas seja focada somente nos condenados pelo 8/1 (manifestantes, Bolsonaro e generais), sem atingir condenados por crimes de outra espécie”, escreveu Moro em publicação nas redes sociais.
Em outro post, o parlamentar afirmou estar sendo alvo de notícias falsas em meio a uma investigação contra Lulinha, filho do presidente Lula. “Estranhamente, esses factoides são ressuscitados no momento em que é revelado que Lulinha está sendo investigado pela PF por suspeita de envolvimento no escândalo do roubo do INSS”, declarou.
Reação nas redes e tentativa de desqualificação
Moro também acusou a jornalista de republicar uma matéria de 2023 e alegou que a notícia divulgada não seria nova, afirmando que os documentos já haviam sido apreendidos durante uma operação policial na 13ª Vara Federal de Curitiba no início deste mês.
Em outra postagem, escreveu: “Então vamos lá, jornalista publica ‘furo’ no UOL de que eu teria, em 2005, grampeado ilegalmente o ex-presidente do TCE-PR. Primeiro, não é furo, a mesma jornalista havia dado idêntica matéria em 2023. Segundo, o fato ocorreu em 2005, há 20 anos”.
A reportagem do UOL detalhou que as escutas incluem gravações do então presidente do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), Heinz Herwig, feitas com base em delações de colaboradores no Paraná. A jornalista teve acesso a um grampo de cerca de 40 minutos e ao despacho judicial de Moro que autorizava o monitoramento.
Defesa baseada em tese jurídica
O ex-juiz afirmou ainda que o delator Tony Garcia havia se disposto a gravar novamente os suspeitos e que, à época, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) não exigia autorização judicial para gravações feitas por interlocutores de delatores.
Moro também argumentou que o grampo contra Herwig não teria gerado qualquer consequência prática, pois o áudio não foi utilizado em investigações posteriores.
Escutas além do caso Herwig
Os documentos revelaram que não apenas Heinz Herwig foi gravado, mas também desembargadores e políticos com foro privilegiado. Segundo a apuração, esses grampos foram realizados por outro colaborador de Moro, o advogado Sérgio Costa, sem a autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ), exigida para investigações envolvendo autoridades com foro.
A operação de busca e apreensão na Vara Federal de Curitiba foi determinada pelo ministro Dias Toffoli, e o STF segue apurando as denúncias de grampos ilegais.

