Bolsonarismo

O milagre da emenda pix bolsonarista em Roraima: treze milhões por uma única casa

Enquanto o povo espera moradia, emendas pix de Jhonatan de Jesus alimentam o mato e o descaso em Iracema.
O ministro do TCU Jhonatan de Jesus – Reprodução
O ministro do TCU Jhonatan de Jesus – Reprodução
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O cenário em Iracema, no interior de Roraima, é a materialização estética da pilhagem que define a política regional sob a égide do bolsonarismo. A indicação de R$ 13 milhões em “emendas pix” por Jhonatan de Jesus — hoje, ironicamente, ministro do Tribunal de Contas da União — resultou em uma arquitetura do vazio: das 300 casas prometidas, apenas uma sobrevive como um monumento à ineficiência e ao escárnio.

É a síntese de um projeto de poder que utiliza o erário para consolidar currais eleitorais enquanto flerta com o garimpo ilegal e o sufocamento das populações indígenas. Como ensinou Graciliano Ramos em sua crônica sobre a miséria do interior, a seca de espírito da elite política é o que realmente mata a esperança da terra.

  • Jhonatan de Jesus e o senador Mecias de Jesus destinaram R$ 13 milhões para obras em Iracema, utilizando o mecanismo opaco das emendas pix, que dificultam a fiscalização imediata.
  • Passado mais de um ano da promessa, o canteiro de obras é um terreno abandonado tomado por mato e carcaças de animais, com apenas uma casa-modelo deteriorada.
  • O ex-prefeito Jairo Ribeiro, aliado da família Jesus, é alvo da Polícia Federal por suspeitas de fraude e desvio de recursos, enquanto o ministro do TCU lava as mãos sobre a execução do dinheiro que ele próprio enviou.

A engenharia da pilhagem no coração da Amazônia

A desculpa protocolar de que o papel do parlamentar termina no envio do recurso é a confissão de uma corrupção legalizada que assola o orçamento secreto e suas derivações. Ao enviar milhões sem o devido rigor técnico e fiscalizatório, o hoje ministro do TCU demonstra que a raposa conhece bem os atalhos para invadir o galinheiro. Em Iracema, a “casa-modelo” não é um lar; é uma máscara para desvios que a Polícia Federal agora tenta decifrar. O silêncio cúmplice diante da ausência de 299 casas é o mesmo silêncio de quem coloca obstáculos à demarcação de terras indígenas para favorecer o extrativismo predatório.

Aritmética do abandono em Roraima

Recurso / ObjetoPromessa bolsonaristaRealidade de Iracema
Verba total enviadaR$ 13 milhões (Emendas Pix)Terreno baldio e carcaças
Unidades habitacionais300 casas populares1 casa modelo vazia
Situação do canteiro“Compromisso de gestão”Mato alto e erosão
Destino do mentorTCU (Fiscal da União)Aliado do garimpo em RR

O fiscal de contas pode ser o próprio beneficiário da cegueira?

A ocupação de uma cadeira no Tribunal de Contas da União por um expoente desse sistema é o triunfo do cinismo sobre a República. Enquanto Jhonatan de Jesus julga as contas alheias em Brasília, o povo de Iracema observa a única casa de R$ 13 milhões apodrecer sob o sol de Roraima. A transparência exigida pelo STF não é apenas um capricho jurídico, mas a última barreira contra a transformação do Brasil em um grande latifúndio de sombras e emendas sem rastro.

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