O senador Flávio Bolsonaro, que outrora exibia a valentia dos herdeiros do autoritarismo, agora recorre ao lamento fúnebre e à geriatria política para tentar livrar o patriarca do clã da frieza das grades. Nesta terça-feira (13), após uma visita estratégica à Superintendência da Polícia Federal em Brasília, o filho “01” saiu com uma narrativa pronta: o ex-presidente, aquele que mandava os outros pararem de “mimimi” diante da morte, agora estaria vulnerável demais para a vida carcerária. O argumento da vez é um suposto acidente doméstico na cela, onde o “Capitão” teria batido a cabeça e o pé, sofrendo lapsos de memória que, curiosamente, parecem acometer toda a família diante de juízes.
A amnésia oportuna do clã das mansões
A tentativa de Flávio de emplacar uma prisão domiciliar sob o pretexto de “supervisão permanente” é o ápice do cinismo de uma linhagem que sempre pregou o rigor absoluto do sistema penitenciário para os outros. Alegar que Bolsonaro não se lembra de como bateu a cabeça soa como uma metáfora perfeita para os quatro anos de seu governo: um período de escoriações institucionais onde o mandatário nunca se lembrava de suas responsabilidades. Para o Diário Carioca, o pé machucado do ex-presidente é o menor dos danos diante das feridas que ele infligiu à democracia brasileira, crimes pelos quais agora paga o preço devido.
Historicamente, figuras autoritárias em declínio costumam trocar a farda pelo pijama hospitalar assim que a justiça bate à porta. Pinochet fez escola com sua cadeira de rodas performática; agora, o clã Bolsonaro tenta reeditar o roteiro, transformando uma cela da PF em um ambiente supostamente hostil para um homem de 70 anos. O que Flávio ignora, em sua empáfia de pré-candidato, é que a integridade física de um preso é dever do Estado, mas o local de cumprimento da pena por crimes contra a democracia é o presídio, não uma mansão na Barra da Tijuca.
O boletim da conveniência bolsonarista
Confira os “sintomas” apresentados pela defesa para tentar burlar a execução da pena:
| Sintoma Alegado | Justificativa de Flávio | Tradução do Diário Carioca |
| Bater a cabeça | Perda de memória recente | Estratégia clássica para evitar depoimentos |
| Escoriações no pé | Risco à integridade física | Desculpa para trocar o pátio pelo jardim de casa |
| Solidão na cela | Necessidade de vigilância | Medo do isolamento político e do ostracismo |
| Supervisão 24h | Cuidado familiar | Tentativa de transformar a prisão em home office |
O desespero do herdeiro em campanha
O movimento de Flávio não visa apenas o bem-estar do pai, mas a manutenção de sua própria relevância eleitoral. Como pré-candidato à Presidência, ele precisa da figura do “Bolsonaro Mártir” circulando em lives e reuniões, algo impossível dentro de uma superintendência da PF. Ao insistir na domiciliar, o senador tenta testar a temperatura do Judiciário e a paciência da opinião pública, enquanto o Brasil assiste, com um misto de ironia e justiça, o homem que dizia que “bandido bom é bandido morto” implorar por um colchão mais macio longe dos olhos da lei.

