Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deputado federal cassado e em exílio político nos Estados Unidos, gravou vídeo no qual compara as condições de prisão do pai — o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses por seu papel na tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023 — às do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, atualmente sob custódia americana após ser preso sob acusações envolvendo narcotráfico e organizações criminosas.
Comparações incongruentes e vitimização exacerbada
Na gravação, Eduardo afirma sentir “inveja” do tratamento que Maduro supostamente recebe nos Estados Unidos — alegando que o venezuelano desfrutaria de espaço amplo e sol à vontade — e contrasta essas imagens com a alegada falta de conforto de Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
| Alegação de Eduardo Bolsonaro | Verificação objetiva |
|---|---|
| “Tenho inveja do Maduro, que pode caminhar em espaço amplo e tomar banho de sol” | Maduro está detido em um SHU de uma prisão federal de segurança máxima nos EUA, com cela pequena e condições duras, inferior às descrições fantasiosas. |
| Bolsonaro estaria em espaço restrito e negligenciado | Bolsonaro cumpre pena em sala de Estado-Maior da PF com cama, banheiro privativo e atendimento médico; ele foi medicamente avaliado após queda recente. |
| “Isso demonstra que vivemos numa ditadura no Brasil” | A comparação ignora o contexto legal brasileiro e o caráter judicial da custódia. |
Vitimismo como estratégia de narrativa
Eduardo Bolsonaro não se limita à comparação: ele caracteriza a determinação judicial de custódia de seu pai como arbitrária e dependente de autorização de Alexandre de Moraes (STF), e enquadra o episódio como prova de uma suposta “ditadura” no Brasil. Essa retórica se encaixa num esforço sistemático de construir uma narrativa de perseguição política pessoal, enquanto desloca debates sobre responsabilidades legais e evidências factuais para o campo emotivo.
Contexto internacional e repercussão
A própria situação de Maduro — preso nos EUA sob acusações sérias e processado no sistema penal federal — contraria a ideia de que sua condição seria de “melhores tratamentos”, como Eduardo sugere.
A polêmica reacende debates sobre a instrumentalização de símbolos internacionais por aliados de Bolsonaro para reconfigurar percepções públicas sobre sua situação jurídica, em contraste com esforços judiciais brasileiros para aplicar a lei a altos cargos políticos envolvidos em tentativas de subverter o Estado democrático de direito.
Eduardo Bolsonaro segue, assim, na linha de vitimização exacerbada, procurando transformar um tratamento penal sanitariamente documentado e judicialmente determinado em elemento de propaganda política dramática.

