Pobre Rio

Bacellar assume o governo do RJ durante “férias” de Cláudio Castro

Aliado fiel de Cláudio Castro, o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, será governador interino a partir de julho, em mais um capítulo da velha política fluminense.
Rodrigo Bacellar assume governo do RJ em julho com apoio de Cláudio Castro, em novo episódio da velha política de apadrinhamentos
Foto: Reprodução Instagram
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Rio de Janeiro – Nada como umas férias para redistribuir poder entre amigos. A partir do dia 2 de julho, o governador Cláudio Castro (PL) larga temporariamente o comando do Executivo fluminense para embarcar rumo a Lisboa e, quem sabe, mais alguns destinos secretos. No vácuo, assume Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente da Alerj e articulador-mor do governismo local.

A desculpa oficial? Participar do Fórum de Lisboa, evento apadrinhado pelo ministro do STF Gilmar Mendes, conhecido por reunir autoridades e lobistas sob o manto da “cooperação jurídica internacional”. Já a extensão da viagem não está no cartaz. O que se sabe é que, mais uma vez, Castro deixa o comando nas mãos de aliados, como já fez quando passou o bastão para Thiago Pampolha (MDB), hoje conselheiro do TCE-RJ.

Bacellar assume governo em clima de continuidade

A ascensão de Bacellar à cadeira de governador interino é sintômica. É o retrato da promiscuidade entre os poderes que impera no Rio. Presidente da Alerj desde 2023, ele é conhecido pela habilidade em costurar alianças com o centrão fluminense, pelo controle sobre o Orçamento da casa e pela fidelidade a Castro.

Com a ida de Pampolha para o Tribunal de Contas, Bacellar virou o herdeiro natural do interinato. E a sinalização de que poder, no Rio, é algo que se repassa em família política. Sem eleição, sem consulta popular, sem transparência. Apenas mais um arranjo entre caciques.

Lisboa e Davos: destinos de um governador viajante

Esta não será a única vez que Bacellar vestirá a faixa. Segundo fontes da Alerj, já está sendo costurado um novo afastamento de Castro em janeiro de 2026, quando ele deve embarcar para o Fórum Econômico de Davos, na Suíça, e emendar com um recesso em família. Ou seja: quem votou em Castro pode acabar sendo governado, por semanas, por Bacellar.

Vale lembrar que Rodrigo Bacellar é investigado por suposto envolvimento em esquemas de rachadinha quando era deputado. Nada que o impeça, no entanto, de exercer a chefia do Estado sem que o eleitor fluminense sequer seja consultado.

O controle da Alerj e as engrenagens do poder

Mais que uma figura de transição, Bacellar é parte estruturante do esquema de poder que hoje domina o Rio. Controla a Assembleia Legislativa com punho firme, garante base governista ampla e interfere diretamente na execução de emendas parlamentares. Sua chegada ao Palácio Guanabara, ainda que temporária, não é um acidente: é estratégia.

O interinato pode servir de vitrine para 2026, quando o xadrez eleitoral será refeito. Não à toa, aliados já testam sua imagem em pesquisas qualitativas. Bacellar quer deixar de ser o homem dos bastidores para se tornar o nome nas urnas.

Um velho roteiro com novos atores

A dinâmica não é nova. O Rio de Janeiro coleciona histórias de governadores afastados, interinos ambiciosos e gestões herdadas por arranjos de conveniência. O que muda é a cara dos protagonistas. Enquanto isso, a população segue como figurante de luxo nesse teatro de repetições.

Na superfície, parece apenas uma folga do governador. Mas à sombra desse “recesso institucional” se desenham estratégias de poder, alianças subterrâneas e ensaios para futuros voos eleitorais.

Leia mais sobre os bastidores da Alerj


O Carioca esclarece

Quem é Rodrigo Bacellar? Deputado estadual, presidente da Alerj desde 2023 e aliado direto de Cláudio Castro. Tem base eleitoral no norte fluminense e perfil centrão-raiz.

Por que Bacellar vai assumir o governo do RJ? Porque Cláudio Castro vai se ausentar para compromissos internacionais e férias, e não há vice-governador desde que Thiago Pampolha assumiu o TCE.

Quais as consequências desse interinato? Além de consolidar alianças políticas, Bacellar ganha projeção e poder institucional. Pode usar o cargo para articular 2026.

Isso é legal? Isso é democrático? Legal, sim. Democrático, discutível. A decisão é feita sem qualquer participação do eleitor. É a institucionalização do tapinha nas costas.

Com informações da Agenda do Poder

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