Rio de Janeiro, 14 de julho de 2025 — Com cerca de 1.500 fuzis em circulação, a Rocinha se tornou a maior base armada do Comando Vermelho no país. Estimativa da Segurança Pública escancara a desproporção entre poder do tráfico e da PM.
Uma comunidade sitiada por um Estado ausente
A Rocinha, símbolo internacional da desigualdade urbana, agora ostenta outro título: maior concentração de armamento de guerra do Rio de Janeiro. Em pleno 2025, a comunidade vive sob o domínio armado do Comando Vermelho, que acumulou ao longo dos últimos anos um estoque de 1.500 fuzis — sete vezes mais do que um batalhão da Polícia Militar. O número é revelado por estimativas da própria Secretaria de Segurança e mostra o que já é sentido por quem vive entre becos e tiroteios: o Estado perdeu a soberania sobre seu próprio território.
Milícia não; é mercado bélico organizado
Não se trata mais de banditismo local ou varejo de droga. A nova configuração do tráfico é empresarial e transestadual. Criminosos operam como atacadistas de armamento pesado, vendendo munição e fuzis com tabela de preços: AR-556 a R$ 51 mil, 500 caixas de munição por R$ 75 mil. Não importa a facção: quem paga, leva. Essa logística transforma a favela em entreposto bélico, ao estilo das zonas de guerra não reconhecidas — onde a autoridade formal é figura decorativa e a lei é escrita a pólvora.
O fracasso planejado da política de segurança
A criminalização da pobreza camufla a omissão deliberada do Estado. A Rocinha é usada como vitrine de violência, enquanto o núcleo do problema — o fluxo de armas e o financiamento do crime — segue intocado. A PM age como força de contenção episódica, sem inteligência, sem recursos e sem comando. Cada operação vira um espetáculo: drones sobrevoam, helicópteros disparam, e as imagens de criminosos fugindo pela mata alimentam manchetes, mas nunca interrompem o ciclo.
Tráfico recruta, o Estado abandona
A presença do tráfico atrai não só operadores de drogas, mas estelionatários, ladrões de carga, milicianos em guerra com seus ex-grupos. O que unifica todos é o acesso ao armamento. O Comando Vermelho virou consórcio militar do submundo, e a Rocinha seu quartel-general. A favela, empurrada à margem por décadas, foi entregue à lógica bélica — e não por descuido, mas por cálculo político.
Favela armada, cidade refém
Enquanto governadores se revezam em promessas de pacificação, o que avança é a militarização da desigualdade. A Rocinha, com seus 72 mil moradores, é hoje refém de um mercado paralelo que domina território, regula economia, dita regras sociais e impõe silêncio. E quando o Estado ousa subir o morro, o faz com tanques e caveirões — não com escola, ambulância ou direitos.
Perguntas e Respostas
Quantos fuzis há hoje na Rocinha?
Segundo estimativas oficiais, cerca de 1.500.
Quem controla o território atualmente?
O Comando Vermelho, após derrotar a facção Amigos dos Amigos.
Como o tráfico obtém as armas?
Por redes ilegais que importam e revendem armamentos a facções de todo o país.
Por que a PM não recupera o controle?
Porque a desproporção de armamento, somada à ausência de inteligência estatal, inviabiliza a retomada.
O que o Estado está fazendo?
Opera ações pontuais com drones e helicópteros, mas sem estratégia de longo prazo.

