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Cláudio Castro desiste de ajudar Eduardo Bolsonaro

Governador do Rio recua após alerta sobre riscos jurídicos e reação do STF à manobra de proteção
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Foto: Divulgação
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Foto: Divulgação
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Rio de Janeiro, 23 de julho de 2025 — O governador Cláudio Castro (PL) desistiu de nomear Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para um cargo no Executivo fluminense após ser alertado sobre os riscos de confrontar o Supremo Tribunal Federal.


Uma manobra abortada no último minuto

A nomeação de Eduardo Bolsonaro como secretário no governo do Rio de Janeiro chegou a ser discutida como estratégia para blindá-lo de processos que ameaçam seu mandato na Câmara. A movimentação, coordenada por aliados de Jair Bolsonaro, contava com a simpatia de Cláudio Castro, que cogitava o gesto como moeda de troca política para viabilizar sua própria candidatura ao Senado em 2026. Mas a operação foi desarmada nos bastidores, após um aviso enfático de um ministro de tribunal superior: a nomeação seria lida como provocação institucional e enfrentaria resposta imediata do Supremo Tribunal Federal.

O recado foi direto. A tentativa de esvaziar os efeitos de investigações contra Eduardo Bolsonaro — sobretudo aquelas sob relatoria de Alexandre de Moraes — seria vista como afronta ao Judiciário. Castro, que ainda busca espaço próprio na direita, preferiu evitar um confronto com a Corte. O custo político era alto demais, mesmo para quem busca apoio da base bolsonarista.


STF em estado de prontidão

O Supremo acompanha com atenção todas as movimentações de Jair Bolsonaro e seus filhos no esforço de escapar da responsabilização legal. A possível nomeação de Eduardo para um cargo estadual, que o livraria da obrigação de reassumir o mandato parlamentar, soou como subterfúgio institucional. Informações de bastidores apontam que o ministro Alexandre de Moraes cogita antecipar uma decisão cautelar impedindo qualquer tentativa de manobra semelhante — tanto no Rio quanto em São Paulo.

A reação do STF não seria apenas técnica. A Corte já acumula evidências de que o bolsonarismo opera em rede, com estratégias coordenadas para deslegitimar investigações, intimidar ministros e preservar seus quadros-chave. A nomeação de Eduardo seria, na prática, uma extensão desse roteiro.

Rejeitado até entre aliados

Nem mesmo Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e considerado um dos nomes mais palatáveis da nova direita, aceitou embarcar na tentativa de blindagem. Apesar de eleito por São Paulo, Eduardo vive nos Estados Unidos e não tem qualquer vínculo administrativo com o governo paulista. Aliados de Tarcísio avaliaram que o custo institucional de assumir essa briga seria insustentável — e que o gesto só serviria para reforçar a percepção de que o bolsonarismo depende de subterfúgios para sobreviver politicamente.

A falta de alternativas revela o esgotamento do entorno de Jair Bolsonaro, que assiste, cada vez mais isolado, ao encolhimento de sua margem de manobra. O gesto frustrado de Castro expõe esse enfraquecimento: nem aliados diretos querem pagar a conta de confrontar o STF apenas para proteger um filho do ex-presidente.


Perguntas e Respostas

Por que Cláudio Castro desistiu de nomear Eduardo Bolsonaro?
Foi alertado de que a manobra teria repercussão negativa no STF e custaria caro politicamente.

Qual seria o objetivo da nomeação?
Evitar que Eduardo perdesse o mandato ao não reassumir a Câmara dos Deputados no prazo legal.

O STF pode impedir a nomeação?
Sim. Moraes pode conceder medida cautelar para barrar tentativas de blindagem institucional.

Tarcísio aceitaria nomeá-lo em São Paulo?
Não. Aliados do governador descartam qualquer chance de acomodar Eduardo.

A nomeação ainda pode acontecer?
É improvável. O desgaste político e jurídico tornou a ideia inviável.


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