Suspeito

Presidente da Alerj vira alvo de nova investigação do MP-RJ

Rodrigo Bacellar é suspeito de ligação oculta com frigorífico em Campos que recebeu financiamento da AgeRio; deputado nega irregularidades
Rodrigo Bacellar - Foto: Octacílio Barbosa – Alerj
Rodrigo Bacellar - Foto: Octacílio Barbosa – Alerj
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Rodrigo Bacellar (União), passou a ser investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) por suspeita de ser sócio oculto de um frigorífico em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. O empreendimento recebeu recursos da AgeRio e teria sido beneficiado por um processo de licenciamento ambiental considerado atípico.

Financiamento e expansão do frigorífico

O inquérito foi aberto após decisão do Conselho Superior do MP, que autorizou a apuração por “possíveis atos de improbidade administrativa”.

Entre os focos está o frigorífico JGPS Comércio de Carnes, instalado em Campos, com capacidade para abater até 250 cabeças de gado por dia.

O terreno foi adquirido após empréstimo da Agência de Fomento do Estado (AgeRio), e a licença ambiental foi concedida em setembro de 2022 em prazo que chamou a atenção dos investigadores.

Crescimento patrimonial sob escrutínio

Outro ponto central da investigação é a evolução patrimonial do deputado. Em 2018, quando disputou sua primeira eleição, Bacellar declarou possuir R$ 85 mil em espécie.

Quatro anos depois, registrou aumento de 833% em seu patrimônio, passando a declarar R$ 150 mil em participação societária, R$ 493 mil em aplicações financeiras e outros R$ 150 mil em dinheiro vivo.

Leia Também: PF diz que que metade da Alerj tem ligação com o crime organizado

Suspeita de uso de servidores da Alerj

O MP também apura se Bacellar utilizou mão de obra de servidores da Alerj na reforma de uma mansão em Teresópolis, comprada em sociedade com o advogado Jansens Calil, amigo de longa data e sócio formal do frigorífico. Outro ponto de investigação é a possível contratação irregular do filho de um subdiretor da Casa Legislativa, que teria participado das obras.

Defesa de Bacellar e posicionamento do Inea

Em nota, Bacellar afirmou que “já foram prestados esclarecimentos que demonstraram não haver qualquer tipo de ilegalidade nos pontos abordados” e disse que continuará colaborando “de forma transparente”. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea), responsável pela licença do frigorífico, informou que o processo seguiu os trâmites legais e foi concedido em conformidade com a legislação vigente.

Crise política no Rio

A investigação surge em meio à disputa política entre Bacellar e o governador Cláudio Castro (PL), que se intensificou às vésperas da corrida eleitoral de 2026. O caso amplia a tensão no cenário fluminense, já marcado por denúncias de favorecimento político e questionamentos sobre a relação entre o Legislativo e o Executivo estadual.

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