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PF mira cúpula do Rioprevidência e expõe esquema bilionário com Banco Master

A Operação Barco de Papel revela carros de luxo, dinheiro em espécie e decisões financeiras temerárias envolvendo quase R$ 1 bilhão da previdência dos servidores do Rio. O discurso técnico ruiu; a realidade agora é criminal.

Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico

Jornalista do Diário Carioca.

Rioprevidência: Polícia Federal avança sobre a cúpula e desmonta engenharia de risco previdenciário

Na manhã desta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, a Polícia Federal atravessou a porta giratória do Rioprevidência e entrou onde o discurso tecnocrático não costuma permitir visitas: o coração da decisão financeira.

A Operação Barco de Papel não foi apenas uma diligência policial — foi um ato simbólico. Quando agentes recolhem carros blindados, dinheiro vivo, relógios e HDs em residências de dirigentes da previdência estadual, o que está em jogo não é um erro de gestão, mas a falência moral de um modelo.

O alvo central é Deivis Marcon Antunes, diretor-presidente do Rioprevidência, que está fora do país desde 15 de janeiro, em viagem aos Estados Unidos.

A ausência física não impede o avanço do inquérito, que investiga investimentos de altíssimo risco feitos com recursos destinados a aposentadorias e pensões de mais de 235 mil servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro.

O que a PF encontrou — e o que isso significa

As buscas ocorreram em quatro endereços estratégicos: a sede da autarquia, no Centro do Rio, e imóveis em Botafogo, Gávea e Urca. O inventário apreendido é revelador não pelo valor absoluto, mas pelo padrão de conduta.

Resumo das apreensões

  1. Sede do Rioprevidência: arquivos digitais e documentos administrativos.
  2. Botafogo (residência de Antunes):
    • Veículo de luxo blindado
    • Cerca de R$ 7 mil em espécie
    • Pen drive, relógio e documentos
  3. Gávea:
    • Outro veículo de luxo
    • Aproximadamente R$ 3,5 mil em dinheiro
    • Notebook, celular, HDs, pen drives e documentos
  4. Urca:
    • Notebook, celular e papéis relacionados à investigação

Nada disso prova culpa por si só. Mas desmonta o argumento clássico da “gestão técnica austera” e abre espaço para a pergunta central: por que gestores de um fundo previdenciário operavam como executivos de um banco de investimento agressivo?

O núcleo do escândalo: R$ 970 milhões no Banco Master

A investigação, aberta em novembro de 2025, apura nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024. Nesse intervalo, cerca de R$ 970 milhões do Rioprevidência foram aplicados em Letras Financeiras do Banco Master, com vencimentos longos, projetados para 2033 e 2034.

O problema não é apenas o valor. É o perfil do risco.

Pouco tempo depois dessas aplicações, o Banco Master entrou em liquidação extrajudicial, tornando concreto o risco máximo desse tipo de título: a impossibilidade de resgate. Quando isso ocorre, não há retórica que salve o caixa da previdência — o prejuízo é direto, frio e socialmente devastador.

DIMENSÃO ANALÍTICADISCURSO INSTITUCIONALREALIDADE TÉCNICA
Perfil do investimentoSeguro e rentávelAlto risco e baixa liquidez
Proteção ao servidorResponsabilidade atuarialExposição direta a quebra bancária
GovernançaDecisão colegiadaProcesso acelerado e concentrado

A coincidência que o TCE não ignorou

Três meses antes da operação da PF, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro registrou o que chamou de “notável coincidência”:
entre julho e outubro de 2023, Antunes, Eucherio Lerner Rodrigues (diretor de Investimentos) e Pedro Pinheiro Guerra Leal (ex-gerente) foram nomeados. Pouco depois, começaram os aportes no Banco Master.

O TCE também apontou divergências graves nos números:

  • Governo do Estado: R$ 960 milhões investidos
  • TCE-RJ: até R$ 2,6 bilhões, considerando fundos ligados ao banco e à corretora

Parte desses recursos, segundo o tribunal, não teria cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. Traduzindo: se der errado, o servidor paga a conta.

Este caso não é um desvio pontual. É a radiografia de como fundos previdenciários públicos se tornam caixa de experimentação financeira quando a governança falha. A lógica do mercado — rentabilidade máxima, risco terceirizado — é incompatível com a função social da previdência. Quando gestores confundem aposentadoria com portfólio especulativo, o resultado é sempre o mesmo: socialização do prejuízo e privatização do conforto. A Operação Barco de Papel expõe um sistema que tratou o futuro de servidores como ativo descartável.

1) O que é o Rioprevidência?
É o fundo responsável por administrar aposentadorias e pensões de servidores estaduais do Rio de Janeiro.

2) Qual é o problema nos investimentos investigados?
Recursos previdenciários foram aplicados em títulos de alto risco e longo prazo, incompatíveis com a função do fundo.

3) Quanto dinheiro pode ter sido comprometido?
Entre R$ 970 milhões e R$ 2,6 bilhões, dependendo da metodologia considerada pelo TCE.

4) O que acontece agora?
A PF analisará o material apreendido para apurar crimes como gestão fraudulenta, corrupção passiva e associação criminosa.

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