A reunião marcada para esta quarta-feira (29) entre o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e ministros do governo Lula para debater a crise de segurança pública foi cancelada. O encontro foi anunciado pelo Palácio do Planalto logo após a operação policial que resultou em 132 mortes nos complexos do Alemão e da Penha, a mais letal da história do estado.
O Palácio Guanabara, sede do governo estadual, afirmou ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, que “o governador não tem previsão de ir a Brasília hoje” e que “o governo federal falou em reunião, mas não formalizou qualquer combinado”. Já o Planalto garantiu que o convite foi feito por telefone na tarde anterior, com a confirmação de presença por parte de Castro.
Conflito entre governo estadual e federal em meio à crise
O cancelamento ocorre em meio ao impasse político entre o governo estadual e o federal, que divergem fortemente sobre a aplicação da Garantia da Lei e da Ordem (Garantia da Lei e da Ordem – GLO) e o envolvimento das Forças Armadas na segurança pública fluminense. Essa cisão agrava a delicada situação depois do massacre no Rio.
O Palácio do Planalto havia informado que ministros como Rui Costa (Casa Civil), Ricardo Lewandowski (Justiça) e Andrei Rodrigues (Polícia Federal) estariam prontos para ir ao Rio e tratar de ações conjuntas. Com o cancelamento do encontro, essas iniciativas ficaram suspensas.
Estratégias paralelas de Castro e articulação política conservadora
Enquanto o encontro não ocorre, Cláudio Castro realizará reuniões internas com a cúpula de segurança do Rio para avaliar os desdobramentos da operação policial e definir os próximos passos. Também está programada uma videoconferência com governadores conservadores para construir uma coalizão política, buscando apoio após o desgaste provocado pelas mortes.
A tensão entre os poderes se intensificou depois que Castro acusou o governo federal de não ter enviado ajuda ao Rio, alegação que foi desmentida publicamente pelo Ministério da Justiça.
Conclusão e impactos políticos
Castro encerrou sua declaração afirmando que não deseja “transformar esse momento em uma batalha política”, mostrando tentativa de desescalar a crise, mas o cancelamento da reunião expõe o distanciamento e dificuldades na cooperação entre os governos estadual e federal em um momento crítico para a segurança pública

