Moradores dos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, promoveram nesta sexta-feira (31) uma manifestação contra a Operação Contenção, megaoperação policial realizada na última terça-feira (28) que resultou na morte de 121 pessoas, entre elas quatro policiais, além de 113 prisões. A ação envolveu 2,5 mil agentes e é a mais letal da história do estado.
Concentrados no Campo da Ordem, em Vila Cruzeiro, os manifestantes, incluindo motociclistas vestidos de branco, partiram em caminhada pela região para denunciar a brutalidade da operação e exigir justiça pelas vítimas. A mobilização contou com a participação de mães que perderam filhos em outras operações policiais, como Nádia Santos, que perdeu dois filhos para a violência policial, e Adriana Santana de Araujo, mãe de um dos mortos na operação do Jacarezinho em 2021, que chamou atenção para os impactos eternos da dor materna.
Entre os presentes também estavam líderes de movimentos sociais e políticos da oposição ao governador Cláudio Castro (PL), como a vereadora Mônica Benício e os deputados Glauber Braga e Tarcísio Motta (PSOL). O governo, entretanto, mantém a posição de que a operação foi um sucesso e cumpriu o planejado.

Segundo o governo do estado, dos 117 civis mortos, 99 já foram identificados, sendo que 78 tinham histórico criminal e 42 possuíam mandados de prisão em aberto. A operação cumpriu 100 mandados de prisão e 180 de busca e apreensão contra o Comando Vermelho.
Entidades de direitos humanos e organizações da sociedade civil classificam a operação como “massacre” e “chacina”, criticando a alta letalidade e as denúncias de tortura e mutilações em corpos encontrados em áreas de mata após a operação.

