Sucesso, Castro?

Mãe de policial morto em massacre no Rio de Janeiro culpa Cláudio Castro: “Aquele infeliz”

Velório marcado por dor e revolta: Débora Velloso Cabral responsabiliza governador bolsonarista pelo envio de policiais sem preparo
Débora Velloso Cabral e o filho, o policial civil Rodrigo, que morreu em massacre no Rio. Foto: Reprodução
Débora Velloso Cabral e o filho, o policial civil Rodrigo, que morreu em massacre no Rio. Foto: Reprodução
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O velório do policial civil Rodrigo Velloso Cabral, morto em um tiro na nuca durante a megaoperação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, na terça-feira (28), expôs a dor profunda e a indignação por trás do episódio que marcou a história do estado como a ação policial mais letal já registrada.

A mãe do agente, Débora Velloso Cabral, nesta quarta-feira (29) no Cemitério Memorial do Rio, em Cordovil (Zona Norte), fez um desabafo ácido e direto contra o governador do estado, Cláudio Castro (PL), a quem chamou de “aquele infeliz”.

“Aquele infeliz do Cláudio Castro sabia que os policiais não tinham condição de encarar o CV. Meu filho só tinha 40 dias de corporação”, disse Débora.

Acusações e contexto da morte

Durante o velório, Débora afirmou com emoção que o governador sabia que os policiais não tinham condições de enfrentar o Comando Vermelho (CV), principal facção envolvida no confronto. Ela destacou que seu filho tinha apenas 40 dias de corporação e criticou a falta de preparo e estrutura da polícia. “Meu coração apertou quando disseram que um policial tinha morrido. Quando apareceu o nome dele no noticiário, entrei em desespero. Antes de ir para a operação, ele me disse ‘Mamãe, te amo. Volto em breve’. Meu filho era amor, era sorriso, era amigo de todos”, contou.

Débora relatou ainda que os agentes foram jogados praticamente numa emboscada, cercados pelos bandidos, sem o suporte necessário para enfrentar a escalada violenta dentro das favelas, cenário que resultou na morte de seu filho e de outros policiais.

A maior operação policial e sua letalidade

A operação, conhecida como Operação Contenção, foi deflagrada pelo governo do Rio no dia 28 de outubro de 2025 para conter a atuação da facção Comando Vermelho, contando com cerca de 2.500 agentes policiais e o cumprimento de quase 100 mandados de prisão em 26 comunidades da Zona Norte do Rio. Durante os confrontos, barricadas foram erguidas e bombas lançadas por drones foram usadas contra as equipes policiais, caracterizando um ambiente de guerra urbana.

O saldo da operação foi de 121 mortes — número que supera até o Massacre do Carandiru e o Jacarezinho, afetando gravemente a população local e a imagem da política de segurança do estado. Entre os mortos estão policiais civis como Rodrigo Cabral, que lutavam com preparo insuficiente, segundo familiares, enquanto o governador classifica a operação como “um sucesso”.

Repercussão e críticas

O velório de Rodrigo reuniu cerca de 150 pessoas, entre familiares, colegas policiais da 39ª DP (Pavuna) e autoridades de segurança. O clima foi de emoção e pesar, com uma homenagem simbólica de pétalas lançadas de um helicóptero sobre o caixão.

Críticas à condução da operação e ao governador Cláudio Castro têm se multiplicado, destacando o uso excessivo da força e o abandono das condições adequadas para os agentes envolvidos. A ação também levantou questionamentos sobre violações de direitos humanos e políticas públicas de segurança que perpetuam a violência estrutural nas favelas fluminenses, sobretudo diante do risco de mortes indiscriminadas e execuções sumárias.

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