O ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, denunciou que o governador Cláudio Castro (PL) e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, receberam propina em ouro de uma empresa contratada pelo governo estadual. S
egundo Garotinho, o ouro foi repassado ao joalheiro TH Joias, preso por ligação com o Comando Vermelho, que ocultava as peças vendendo-as a traficantes e celebridades.
Em entrevista ao jornalista Luís Nassif, ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho revelou um esquema de corrupção envolvendo altas autoridades estaduais.

Segundo ele, o governador Cláudio Castro e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Rodrigo Bacellar) receberam propinas em ouro oriundas de contratos públicos. Sem conseguir dar destino oficial ao metal precioso, ambos teriam repassado o ouro ao joalheiro conhecido como TH Joias.

Este último, além de joalheiro, é ex-deputado estadual e está atualmente preso sob acusação de integrar uma quadrilha que trabalha com o Comando Vermelho, organização criminosa responsável por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas. Garotinho destacou que TH Joias incorporava o ouro em peças que eram vendidas a traficantes e figuras do espetáculo, camuflando o dinheiro ilícito.
O caso chama atenção pela trajetória de TH Joias, que conseguiu ser eleito deputado com cerca de 15 mil votos, mesmo cumprindo quase 15 anos de condenação por tráfico de drogas. Ele assumiu o mandato via habeas corpus concedido após a morte de um parlamentar, num movimento político que envolveu o deslocamento do então secretário Rafael Picciani. Supostamente, essa manobra recebeu aval do presidente da Alerj, o que teria garantido a cadeira para o condenado.
Internamente na Assembleia, TH Joias articulou a nomeação de comparsas em seu gabinete, todos presos por ações de facilitação ao integrante do Comando Vermelho conhecido como “Índio do Lixão”, tesoureiro dos complexos da Maré e da Penha, zonas violentas da zona norte do Rio. Celulares apreendidos em operações policiais indicam uma relação próxima, possivelmente amorosa, entre o joalheiro e o traficante.
Garotinho revelou também que TH Joias planeja colaborar com a Justiça, alegando ter sido abandonado por seus antigos aliados. O ex-parlamentar esperava que a Alerj revogasse sua prisão, mas o governador Cláudio Castro exonerou Rafael Picciani da Secretaria do Esporte, devolvendo-lhe o mandato e, consequentemente, retirando o cargo de deputado de TH Joias. Segundo Garotinho, “a próxima semana promete uma bomba na política do Rio”.
Além de TH Joias, a Operação Zargun da Polícia Federal impactou diretamente o assessor Luiz Eduardo Cunha Gonçalves (“Dudu”), o delegado federal Gustavo Steel e o advogado Alessandro Pitombeira Carracena. Carracena acumula passagens por cargos na Prefeitura do Rio sob o governo de Marcelo Crivella e no governo estadual de Cláudio Castro, onde foi secretário estadual de Esporte e Lazer e subsecretário de Defesa do Consumidor, atuando em conjunto com Gutemberg Fonseca.
Conforme a Polícia Federal, Gutemberg recebeu “Índio do Lixão” em reunião para discutir “apoio político”, uma tentativa do traficante de se candidatar a vereador em Duque de Caxias. Conversas interceptadas revelam o advogado Carracena afirmando que já havia comunicado seus aliados sobre a importância do apoio a “Índio do Lixão”. Em mensagens, o traficante expressou frustração ao não receber o apoio esperado.
Gutemberg Fonseca, indicado pelo senador Flávio Bolsonaro, desempenhou papéis públicos na prefeitura e no governo estadual. Antes de ingressar na administração pública, Carracena trabalhou como advogado de milicianos, o que gera suspeitas sobre a integridade das indicações políticas e sobre a influência de grupos criminosos dentro do aparelho estatal.
Esse abalo político traz à tona reflexões sobre a profundidade da corrupção e a infiltração de organizações criminosas no poder público do Rio de Janeiro, apontando para a urgência de reformas profundas e mecanismos rigorosos de controle e transparência.
Implicações políticas e sociais
- Envolvimento direto de líderes do governo do Estado em esquema de corrupção compromete a imagem pública e a confiança nas instituições democráticas;
- A ligação entre representantes políticos e o crime organizado revela falhas graves de segurança e justiça;
- O impacto social se agrava nas comunidades vulneráveis, onde o Comando Vermelho domina áreas periféricas;
- A imprensa e a sociedade civil devem reforçar o papel fiscalizador para evitar retrocessos autoritários.

