O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou novas e graves denúncias contra policiais militares envolvidos na Operação Contenção. A ação, ocorrida em 28 de outubro de 2025 na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, teve diversas práticas ilegais registradas pelas próprias câmeras corporais (COPs) dos agentes.
Novas Imputações Contra Batalhão de Choque
Seis policiais pertencentes ao Batalhão de Choque foram denunciados nesta segunda-feira por violação de domicílio, constrangimento ilegal, roubo e insubordinação. O MPRJ já havia formalizado denúncias anteriores contra o mesmo grupo por peculato e furto.
As Promotorias de Justiça junto à Auditoria Militar detalham que os agentes arrombaram portões e portas de duas residências. Em seguida, reviraram cômodos sem qualquer autorização judicial e obrigaram um morador a permanecer sentado, sob ameaça, enquanto as buscas aconteciam.
Obstrução de Imagens e Furto
As gravações das câmeras também expõem a tentativa do grupo de desmontar e ocultar um fuzil abandonado por criminosos em fuga. Além disso, as imagens comprovam o roubo de um telefone celular encontrado no local. As COPs registraram, ainda, tentativas sistemáticas de obstrução das câmeras, uma prática expressamente proibida pelo comando da corporação.
Sargento Descumpre Lei e Oculta Cinco Horas de Ação
Um caso separado envolve um sargento do Grupamento Tático de Ações Rápidas. O militar foi acusado de violação de domicílio e insubordinação por ingressar em uma residência sem a devida autorização.
O sargento, segundo o MPRJ, passou toda a operação descumprindo a norma que exige o uso contínuo das câmeras corporais em áreas sensíveis, conforme determina a Lei Estadual 9.298/2021 e a Instrução Normativa 084/2025. O policial tentou retirar a bateria do equipamento e o removeu do corpo em, no mínimo, dez momentos, impedindo o registro de cerca de cinco horas de ação.
Contagem de Ações Penais
Com esta nova rodada de denúncias, o total de ações penais militares instauradas sobre ilegalidades cometidas na Operação Contenção sobe para seis. Nove policiais foram formalmente denunciados, incluindo os sargentos Diogo da Silva Souza, Eduardo de Oliveira Coutinho, Marcos Vinicius Pereira Silva Vieira e Charles William Gomes dos Santos, além do subtenente Marcelo Luiz do Amaral. Todos foram presos após ação da Corregedoria da PM.
As denúncias iniciais abordavam a apropriação de um fuzil em uma casa no Complexo do Alemão e o furto de peças de um veículo na própria Vila Cruzeiro. O MPRJ afirma que o material gravado pelas câmeras continua sob análise para identificar outros possíveis envolvidos.
Os crimes imputados aos agentes incluem peculato, furto, violação de domicílio, constrangimento ilegal e recusa de obediência, todos tipificados no Código Penal Militar. Para o Ministério Público, as condutas demonstram claro abuso de poder e desvio de finalidade no exercício da função policial.

