A prisão preventiva do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), provocou mudanças imediatas na sucessão do Executivo estadual.
O vice-governador eleito, Thiago Pampolha, já deixou o cargo para assumir o Tribunal de Contas do Estado, criando um vácuo na linha sucessória do Palácio Guanabara.
Com o vice-governador ausente, qualquer afastamento temporário do governador Cláudio Castro será assumido pelo presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto. A legislação impede que o vice-presidente da Alerj, mesmo interino, assuma o governo.
Alerj decide futuro de Bacellar
Bacellar foi detido na Operação Unha e Carne, acusado de vazar informações da Operação Zargun e orientar o deputado TH Jóias a destruir provas. O caso será discutido em plenário após comunicação formal à Assembleia.
Antes da votação final, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida por Rodrigo Amorim, emitirá parecer sobre a manutenção da prisão. O colegiado, composto por sete deputados, poderá influenciar o clima político antes da decisão dos 69 parlamentares.
Maioria necessária para revogar prisão
São necessários 36 votos no plenário para derrubar a ordem de prisão do ministro Alexandre de Moraes. Deputados da CCJ avaliam a possibilidade de revisão do afastamento de Bacellar, embora a discussão ainda seja incerta.
Enquanto isso, o vice Guilherme Delaroli assumiu provisoriamente o comando da Alerj, permanecendo até a decisão final sobre Bacellar.
Nova ordem de sucessão
1º – vice-governador (atualmente vago);
2º – presidente da Alerj (interino Delaroli);
3º – presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, que assumirá temporariamente em caso de ausência de Castro.
Crise política entre Bacellar e Castro
A relação entre Bacellar e Castro já estava desgastada desde junho, quando Bacellar, interinamente à frente do governo, exonerou o secretário de Transportes, Washington Reis, sem consulta prévia ao Palácio.
Nos bastidores, especulava-se sobre a possível renúncia de Castro em 2026 para concorrer ao Senado, abrindo caminho para eleição indireta que poderia levar Bacellar ao governo. A prisão altera completamente esse cenário.
Renúncia do governador e eleição indireta
Se houver vacância antes do último ano de mandato, a legislação estadual prevê eleição em até 90 dias. No último ano, a escolha é indireta pela Alerj. Com o cargo de vice vago, a renúncia de Castro gera dupla vacância e eleição indireta conduzida pela Mesa Diretora, atualmente liderada por Delaroli. A eleição é decidida pelos 69 deputados, com voto nominal.
Regras para candidatura e reflexos em 2026
Qualquer cidadão que cumpra os requisitos constitucionais — idade mínima de 30 anos, filiação partidária e domicílio eleitoral — pode concorrer, desde que não esteja inelegível. O eleito em processo indireto poderá disputar a eleição direta seguinte, observando prazos de desincompatibilização e regras da Justiça Eleitoral.

