A 16ª edição da Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes retorna ao Largo da Carioca, no Centro do Rio, a partir de segunda-feira (8), reunindo produção agroecológica e debates sobre o campo.
Organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o evento segue até quarta-feira (10) e deve ofertar cerca de 45 toneladas de alimentos livres de agrotóxicos.
Programação e alcance
A feira, integrada ao calendário oficial da cidade, contará com 120 expositores vindos de assentamentos das regiões Lagos, Norte, Noroeste, Sul e Baixada, além de cooperativas de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. A venda começa diariamente às 8h, com frutas, hortaliças, legumes, artesanatos e produtos típicos.
Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado desde janeiro, por lei da deputada Marina do MST (PT), o evento também distribuirá duas mil mudas de plantas, fruto de parceria com Fiocruz, Cedae e o instituto Cooperar.
Memória e resistência
Realizada no Rio desde 2010, a feira homenageia Cícero Guedes, agricultor agroecológico e militante assassinado em 2013 em Campos dos Goytacazes. Para Lívea Cristina Rodrigues, da direção estadual do MST, a iniciativa reforça a urgência da Reforma Agrária Popular e a defesa do acesso democrático à terra.
Tributo a Eunice Paiva
Um dos momentos centrais será a homenagem póstuma a Eunice Paiva, referência da luta contra a ditadura e figura retratada no filme “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles. Ela receberá a Medalha Pedro Ernesto, maior honraria da Câmara do Rio, entregue pela vereadora Maíra do MST (PT) ao neto Chico Rubens Paiva na terça-feira (9).
Debates diários
A agenda inclui seminários distribuídos pelos três dias: luta por terra e território na segunda-feira; alimentação saudável e combate à fome na terça — celebrando a saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU —; e defesa da natureza contra a exploração predatória na quarta.
Gastronomia e diversidade
Seis Cozinhas Solidárias vão oferecer pratos tradicionais como cuscuz, arroz carreteiro e vaca atolada, além de versões criativas à base de mandioca — bolos, caldos, escondidinhos e empadas. O cardápio ainda inclui empanadas, patacones, lasanha com banana-da-terra, doces, cafés, geleias e bebidas artesanais produzidas nos assentamentos.
Para Lívea Rodrigues, a feira aproxima campo e cidade e reafirma o projeto de Reforma Agrária Popular. Já a vereadora Maíra do MST destaca o papel da agricultura familiar e a identidade camponesa que sustenta o evento.

