O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, recusou-se a fornecer a senha de seu celular à Polícia Federal após ser preso na operação que apura vazamentos de informações sigilosas e possíveis interferências políticas em ações policiais. Apesar da tentativa de bloquear o acesso, agentes da PF já conseguiram entrar no aparelho, segundo apuração divulgada pelo jornalista Octavio Guedes.
A apreensão ocorreu quando Bacellar chegou à Superintendência da PF sem adotar qualquer precaução, levando consigo o telefone e um carro oficial onde foram encontrados R$ 90 mil em espécie, quantia cuja origem o parlamentar não explicou. Investigadores avaliam que o fato de o político ter se apresentado desprevenido indica que não apagou conteúdos considerados sensíveis, aumentando a expectativa sobre o que poderá ser revelado.
Acesso ao conteúdo e impacto político
Fontes próximas à investigação afirmam que o acesso ao celular provocou forte inquietação entre aliados do presidente da Alerj, preocupados com a possibilidade de que conversas envolvendo autoridades, articulações políticas e eventuais pressões indevidas venham à tona. O dispositivo é considerado uma das peças-chave do inquérito, capaz de revelar mensagens, documentos, registros de chamadas e interações que ajudem a PF a mapear eventuais tentativas de manipular operações policiais.
A PF não divulgou detalhes sobre o conteúdo obtido, mas confirmou que o procedimento padrão envolve cópia forense completa, capaz de recuperar dados armazenados localmente, em aplicativos, na nuvem e até mídias apagadas — uma prática essencial para investigações baseadas em evidências técnicas e não em narrativas políticas.
Direito ao silêncio, mas não ao sigilo absoluto
A defesa de Bacellar, representada pelo advogado Daniel Bialski, confirmou que o parlamentar se recusou a informar a senha do aparelho — conduta amparada pelo entendimento jurídico de que nenhum investigado é obrigado a produzir provas contra si. Ainda assim, a recusa não impede o avanço das investigações, já que a PF pode usar métodos técnicos para acessar dispositivos apreendidos, como ocorreu neste caso.
A defesa não comentou o acesso prévio realizado pelos agentes nem a apreensão dos R$ 90 mil. Limitou-se a dizer que Bacellar está colaborando com aquilo que considera “procedimentos legais”.
A situação reacende debates importantes sobre transparência na política, combate a interferências indevidas e a necessidade de fortalecer instituições democráticas para impedir que poderosos utilizem suas posições para dificultar investigações — um risco permanente em contextos de retrocessos autoritários.

