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Câmara do Rio muda regimento para poder votar “lei anti-Oruam”

Mudança no Regimento Interno passa a considerar a presença em plenário para formar quórum, impedindo manobras com abstenções e abrindo caminho para a votação do projeto que proíbe contratação de artistas que façam apologia ao crime.
Oruam - Foto: Divulgação
Oruam - Foto: Divulgação
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico

Jornalista do Diário Carioca.

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou nesta terça-feira (9), em sessão extraordinária, uma alteração no Regimento Interno que modifica as regras de contagem de quórum e votos em projetos que exigem maioria absoluta.

A mudança, aprovada por 36 votos a 0, responde diretamente à manobra registrada na semana passada que impediu o desfecho do PL 16/2025, conhecido como “lei anti-Oruam”, ao se recorrer a abstenções de última hora para evitar o arquivamento da proposta.

Pelas regras anteriores, as abstenções não contavam para formar quórum em votações de maioria absoluta — o que permitia que vereadores presentes no plenário esvaziassem a decisão ao se absterem. Com a nova redação, a presença passa a valer para efeito de quórum, independentemente do voto. Na prática, havendo 26 vereadores registrados no painel, a matéria poderá ser deliberada.

“Fechar a brecha” nas votações

Autor da proposta na Mesa Diretora, Paulo Messina (PL) afirmou em plenário que a alteração busca encerrar um “abuso” procedimental. Segundo ele, o regramento anterior permitia que matérias jamais fossem votadas quando um bloco convertia votos favoráveis em abstenções para derrubar o quórum. Agora, explicou, a abstenção contará como presença, impedindo o travamento artificial das deliberações.

Caminho livre para o PL 16/2025

Com o regimento ajustado, o PL 16/2025 volta a ter condições de avançar. A proposta, apresentada por Talita Galhardo (PSDB) e Pedro Duarte (Novo) — com coautoria de Fernando Armelau (PL) e Rogério Amorim (PL)proíbe a prefeitura de contratar artistas que façam apologia ao crime. O texto está em tramitação desde fevereiro e figura como 13º item da pauta desta terça-feira.

A expectativa nos corredores do Palácio Pedro Ernesto é de que a matéria seja finalmente votada ainda nesta semana, antes do recesso. Caso contrário, pode ficar para 2026, com o risco de ganhar contornos eleitorais.

A alteração regimental, aprovada em clima de “limpa-pauta” pré-recesso, redefine o jogo interno da Casa ao reduzir a eficácia de manobras de esvaziamento e acelerar a tomada de decisão em projetos sensíveis.

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