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Aliado de Cláudio Castro abriu caminho para RJ investir R$ 200 milhões no Banco Master

Por JR Vital Analista Geopolítico

A flexibilização das regras de aplicações financeiras da Cedae, ocorrida sob a gestão de um ex-assessor direto do governador Cláudio Castro (PL), colocou a companhia no centro de um novo questionamento do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). A estatal alterou sua política interna pouco antes de investir R$ 200 milhões em títulos do Banco Master, instituição que entrou em liquidação no mês passado.

O julgamento de uma representação que questiona a “justificativa técnica” dessas operações está marcado para esta quinta-feira (18 de dezembro de 2025).

A mudança, segundo O Globo, foi conduzida pelo diretor administrativo-financeiro da Cedae, Antonio Carlos dos Santos, que assumiu o cargo no fim de 2022, após passagem pelo gabinete de Cláudio Castro.

Cerca de dez meses depois, ele emitiu parecer classificando como “oportuna e urgente” a revisão da Política de Aplicações Financeiras da companhia, que até então previa investimentos apenas com “baixa exposição a todas as fontes de risco”, priorizando exclusivamente a preservação do caixa.

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Regra sob medida para o Master
A nova política, aprovada em setembro de 2023, reduziu o nível mínimo de segurança exigido para aplicações. A Cedae passou a poder investir em instituições com rating BBB-, exatamente a classificação atribuída ao Banco Master pela agência Fitch em 2022.

Antes da mudança, o regulamento interno autorizava aplicações apenas em instituições com avaliação mínima A-, três níveis acima da nota do banco.

Outra alteração relevante foi a exigência de avaliação por apenas uma das três principais agências de risco. Até então, eram necessárias classificações em pelo menos duas. O novo critério também beneficiou diretamente o Master, que não atendia à regra anterior.

Alertas ignorados internamente
Documentos internos mostram que a flexibilização encontrou resistência dentro da própria Cedae. A área jurídica alertou que as mudanças levariam ao “aumento do nível de grau de risco” e recomendou análise criteriosa pela diretoria.

No comitê de auditoria, a proposta foi aprovada com voto contrário de Aristóteles Drummond, que defendeu a manutenção de um padrão mais conservador. Ainda assim, o Conselho de Administração deu aval após apresentação feita pelo próprio Antonio Carlos.

Pouco depois da alteração, a estatal adquiriu R$ 200 milhões em CDBs do Banco Master, com rendimento de 113% do CDI, taxa considerada elevada. Apesar da previsão de “resgate imediato”, o diretor informou ao conselho que os saques seriam feitos de forma “gradual”.

Com a liquidação do banco em novembro, cerca de R$ 220 milhões, considerando os rendimentos, ficaram retidos. A Cedae afirma estar “tomando as providências cabíveis” para tentar reaver os valores.

TCE entra no caso
A operação chegou ao TCE-RJ por denúncia do deputado estadual Luiz Paulo (PSD-RJ). O relator, conselheiro Rodrigo Melo do Nascimento, solicitou esclarecimentos sobre a análise de risco que fundamentou a mudança da política.

Em nota, Antonio Carlos afirmou que os aportes respeitaram os limites internos e foram motivados pela necessidade de reforçar receitas financeiras em um período de prejuízo operacional da Cedae.

Ligação mais ampla com o Banco Master
A relação entre o governo Castro e o Banco Master vai além da Cedae. O Rioprevidência aplicou quase R$ 1 bilhão em papéis do banco entre 2023 e 2024.

Após a liquidação, dirigentes envolvidos nessas decisões começaram a ser demitidos. Um relatório do TCE apontou coincidência entre nomeações e os aportes realizados.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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