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Com eleição mais próxima, Paes recua, se desculpa e promete estátua para Tata Tancredo

✅ Eduardo Paes pede desculpas públicas após críticas de lideranças afro-religiosas
✅ Prefeito promete inaugurar estátua em homenagem a Tata Tancredo
✅ Polêmica envolve palco gospel no Réveillon de Copacabana
✅ Debate reacende discussão sobre laicidade, memória e intolerância religiosa
✅ Programação oficial é defendida como “democrática e plural”

O pedido de desculpas veio depois do barulho — e do incômodo. Nesta sexta-feira, Eduardo Paes reconheceu o desgaste causado por uma postagem em que classificou como preconceituoso um artigo do babalawô Ivanir dos Santos sobre o Réveillon do Rio. A reação do povo de axé foi imediata. E o prefeito, pressionado pela história e pelo presente, recuou.

Em suas redes, Paes afirmou manter “compromisso com o povo de axé” e anunciou que a cidade ganhará uma estátua de Tata Tancredo, uma das maiores lideranças religiosas afro-brasileiras do século XX. Não foi apenas um gesto simbólico: foi uma tentativa explícita de reconstruir pontes após uma fala considerada desrespeitosa por quem carrega, há séculos, o peso da intolerância religiosa no Brasil.

Da Pequena África à política institucional

O Rio de Janeiro não é apenas cenário turístico; é território sagrado. Desde a Pequena África, na região portuária, até as praias onde Iemanjá recebe oferendas na virada do ano, a cidade foi moldada pela religiosidade afro-brasileira. Ignorar isso é como falar de Paris sem lembrar dos cafés ou de Salvador sem o som dos atabaques.

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Ivanir dos Santos, em seu artigo, não questionou a existência de um palco gospel, mas o desequilíbrio simbólico. Roupas brancas, oferendas ao mar e rituais dedicados a Iemanjá não são adereços folclóricos: são pilares da identidade carioca. Ao perderem protagonismo institucional, perdem também reconhecimento público.

“Memória não se apaga com decreto nem se compensa apenas com desculpas.”

A resposta do prefeito

Paes afirmou que dialogará com lideranças religiosas para definir a melhor forma de homenagear Tata Tancredo. O gesto, embora tardio, carrega peso histórico. Tancredo foi referência na luta contra a intolerância religiosa e na afirmação do candomblé e da umbanda em um país que, não raras vezes, criminalizou essas práticas.

O prefeito também defendeu a programação do Réveillon como plural e democrática. O argumento é conhecido, mas esbarra em uma pergunta antiga: plural para quem? A laicidade do Estado não se mede apenas pela soma de palcos, mas pelo reconhecimento proporcional das tradições que ajudaram a fundar a própria cidade.

Entre o pedido de desculpas e a dívida histórica

A polêmica expõe uma tensão recorrente no Brasil contemporâneo: a tentativa de conciliar diversidade religiosa sem enfrentar o racismo estrutural que hierarquiza crenças. Palcos se montam com facilidade; reparações simbólicas exigem mais do que boa vontade — exigem compreensão histórica.

A estátua prometida pode se tornar marco de reconhecimento ou apenas mais um monumento sem consequência prática. O desfecho dependerá de algo simples e raro na política: escuta real.

JR Vital
JR Vitalhttps://diariocarioca.com/
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.
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