O carioca começou o ano como costuma acontecer na história desta cidade: pagando mais para se mover. Desde domingo, a passagem dos transportes municipais do Rio passou a custar R$ 5, valendo para ônibus, BRT, VLT, vans, cabritinhos e serviços complementares. Esta segunda-feira marca o primeiro dia útil em que o reajuste é sentido em cheio — na catraca e no bolso.
O aumento pode parecer modesto à primeira vista, mas carrega uma simbologia antiga. Desde o início do século XX, quando os bondes definiram a geografia social da então capital federal, o transporte urbano no Rio sempre foi mais do que deslocamento: é política pública, conflito social e termômetro da desigualdade. Mudam os trilhos, permanecem as tensões.
“No Rio, a tarifa nunca sobe sozinha — ela puxa junto o peso invisível da desigualdade.”
O preço que não aparece na roleta
Embora o passageiro pague R$ 5, esse valor não cobre o custo real do sistema. A chamada tarifa técnica foi fixada em R$ 6,60. A diferença de R$ 1,60 por viagem sai diretamente dos cofres da Prefeitura do Rio, na forma de subsídio às empresas concessionárias.
O modelo atual não remunera mais o transporte apenas pelo número de passageiros, mas pela quilometragem efetivamente rodada. A lógica, adotada desde 2022, tenta evitar o colapso do serviço em períodos de baixa demanda, como ocorreu de forma dramática durante a pandemia.
A engenharia do subsídio
Segundo o município, o cálculo da tarifa técnica segue fórmulas previstas em contrato, com dados atualizados até novembro de 2025. A definição também decorre de acordos judiciais firmados com o Ministério Público e o setor de transportes, que criaram indicadores específicos para monitorar a receita por quilômetro.
Na prática, isso significa que o usuário paga menos do que o custo real, mas a conta não desaparece — ela apenas muda de bolso e recai sobre o orçamento público.
Todos os modais no mesmo trilho
O novo valor vale para o sistema de ônibus (SPPO-RJ), BRT, VLT, transporte público local, vans, cabritinhos e serviços especiais complementares. Não há exceções nem diferenciações. O aumento é uniforme, assim como a sensação de que circular pela cidade continua sendo um privilégio caro para quem depende do transporte coletivo.

