Cruzar a Baía de Guanabara sempre foi mais do que um deslocamento: é um ritual cotidiano de quem vive entre margens. A partir de fevereiro, esse ritual ficará mais caro. O governo do estado do Rio de Janeiro autorizou o reajuste da tarifa das barcas para R$ 5, oficializando um aumento que, embora modesto no papel, pesa na rotina de quem depende diariamente do transporte aquaviário.
A decisão, assinada pelo governador Cláudio Castro e publicada no Diário Oficial, eleva em R$ 0,30 o valor da passagem. Em tempos de orçamento comprimido e serviços públicos sob escrutínio, cada centavo conta — sobretudo quando somado ao custo mensal de quem atravessa a baía para trabalhar ou estudar.
Desde o século XIX, quando as primeiras embarcações ligavam o Rio a Niterói, a travessia simboliza a integração metropolitana. Como nos romances urbanos do Realismo, o progresso avança em pequenos ajustes, quase imperceptíveis individualmente, mas cumulativos para a vida comum.
“Na Baía, a paisagem permanece a mesma; o preço da travessia, não.”
Quanto passa a custar a travessia
Com o reajuste, a passagem sobe de R$ 4,70 para R$ 5, valor que será aplicado de forma uniforme nas principais linhas do sistema. Estão incluídas as travessias entre a Praça Quinze e Araribóia, eixo vital da ligação Rio–Niterói, além das rotas para Cocotá, na Ilha do Governador, e Paquetá.
O novo preço entra em vigor 30 dias após a publicação oficial, dando um curto prazo de adaptação aos usuários frequentes.
Isenções preservadas, debate reaberto
O governo estadual informou que não haverá mudanças nas gratuidades e nos descontos previstos em lei. Permanecem garantidos os benefícios para idosos, pessoas com deficiência e estudantes da rede pública, dentro das regras já estabelecidas.
Ainda assim, o reajuste reacende um debate recorrente: até que ponto aumentos sucessivos, mesmo pequenos, comprometem a acessibilidade do transporte público? Para quem depende das barcas diariamente, o impacto não é abstrato — é mensal, acumulado e inevitável.
Entre o cartão-postal e a necessidade
As barcas seguem sendo uma das alternativas mais rápidas e simbólicas de mobilidade na região metropolitana. Mas o aumento reforça a tensão permanente entre a lógica tarifária e a função social do transporte público.
Na Baía de Guanabara, o horizonte segue bonito. O custo para alcançá-lo, um pouco mais alto.

