E ai, Castro?

Insegurança à Vontade: Carro de Alcione é roubado em frente ao cemitério

Criminosos levam veículo elétrico da Marrom em plena Avenida Pastor Martin Luther King; enquanto a capital fluminense sangra na Zona Norte, a artista descansa na Costa Verde.
A cantora Alcione – Foto: Divulgação
A cantora Alcione – Foto: Divulgação
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Os Fatos

  • O veículo da cantora Alcione, um BYD cinza, foi roubado na manhã desta quinta-feira (8) em Inhaúma, Zona Norte do Rio, nas proximidades do cemitério do bairro.
  • A sambista não estava no automóvel no momento da abordagem; ela desfruta de férias com a família em Angra dos Reis, na Costa Verde.
  • O motorista da artista, único ocupante do carro no momento do crime, não sofreu ferimentos, mas relatou momentos de tensão diante da abordagem agressiva dos assaltantes.

O Rio de Janeiro de 2026 continua a oferecer o mesmo roteiro de filme de terror para quem ousa transitar por suas veias abertas. Desta vez, a vítima indireta foi a Marrom, cuja voz é um patrimônio nacional, mas cujo patrimônio material não escapou da sanha das “vítimas da sociedade” que operam livremente na Avenida Pastor Martin Luther King.

O roubo, ocorrido ironicamente perto de um cemitério, é o retrato de uma cidade que enterra diariamente a paz do cidadão. Enquanto Alcione busca o frescor de Angra, seu motorista encarava o cano frio de uma pistola em um dos eixos mais perigosos da Zona Norte.

O paralelo com o clássico “Não Deixe o Samba Morrer” é amargo: no Rio, o que está morrendo é a capacidade de circular sem o medo onipresente de se tornar apenas mais um número em uma delegacia de bairro.

O roubo do carro de uma das maiores vozes do Brasil não é apenas um crime patrimonial, é o atestado de que, no Rio de Janeiro, nem a realeza do samba está a salvo da barbárie cotidiana.

Qual o paradeiro do veículo e como seguem as investigações?

Até o fechamento desta edição, o BYD cinza da cantora não foi localizado. O caso foi registrado na 44ª DP (Inhaúma). A Polícia Civil informou que agentes buscam imagens de câmeras de segurança na região para identificar os criminosos. O motorista, embora abalado, descreveu um dos assaltantes como um homem magro, negro e de baixa estatura. O veículo, conhecido por sua tecnologia de rastreamento avançada, ainda não emitiu sinais que permitissem o cerco policial, o que levanta suspeitas sobre o uso de bloqueadores de sinal pela quadrilha, técnica comum no “mercado” de desmanches da Zona Norte.

Como a segurança pública do Rio planeja estancar a hemorragia de roubos de carga e veículos?

A ocorrência com o carro de Alcione é apenas a ponta do iceberg de uma crise que o governo estadual parece ignorar entre um evento turístico e outro. Inhaúma e os bairros vizinhos ao Complexo do Alemão e da Penha tornaram-se zonas de exclusão do Estado de Direito.

O Diário Carioca, sempre combativo contra os retrocessos e a favor da justiça, exige que a inteligência policial saia dos gabinetes e recupere o controle das vias expressas. Não basta celebrar o PIB do turismo se o morador e o trabalhador — como o motorista da Marrom — são entregues à própria sorte em avenidas que mais parecem faixas de gaza urbanas. A pacificação deve ser real, não apenas uma peça publicitária de governo.

Expediente: 08/01/2026 – 23:25 | Edição: JR Vital (MTB 0037673/RJ). Siga o Diário Carioca: Instagram | X (Twitter) | Facebook.

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