Racha

Cláudio Castro veta Fundo da Defesa Civil e expõe racha no comando dos Bombeiros

Governador barra "estado dentro do estado" ao vetar repasse de 2% dos royalties; manobra do ex-subsecretário Lauro Botto termina em exoneração e desgaste para o comando-geral.
Cláudio Castro - Foto: ABr
Cláudio Castro - Foto: ABr
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O governador Cláudio Castro oficializou, nesta quarta-feira (14), o veto total à criação do Fundo da Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro. A decisão, publicada no Diário Oficial, é mais do que um ajuste contábil: é um freio de arrumação política em uma tentativa de insurreição administrativa dentro do Corpo de Bombeiros. Castro alegou vício de iniciativa e inconstitucionalidade, mas o recado nas entrelinhas é claro: o Palácio Guanabara não aceita a fragmentação de recursos estratégicos — especialmente os cobiçados royalties do petróleo — para alimentar feudos de poder militar.

O projeto, que previa o abocanhamento de 2% das participações especiais do pré-sal, foi classificado nos bastidores como uma tentativa de criar uma “autarquia paralela” sob o pretexto de socorro a desastres. O governo sustenta que a Defesa Civil já é financiada pelo Funesbom, que ostenta um orçamento bilionário (R$ 1 bilhão em 2026), e que a criação de um novo fundo geraria uma duplicidade de gestão ineficiente. Além disso, o veto ressalta que o fortalecimento da Defesa Civil já foi incorporado ao FECAM pela Emenda Constitucional nº 99/2025, tornando o novo fundo uma redundância fiscal perigosa.

A queda de braço teve sua primeira vítima de alta patente: o coronel Lauro Botto, então subsecretário da Defesa Civil e articulador da proposta junto à Alerj, foi exonerado. Sua presença no plenário durante a votação foi interpretada como uma afronta direta ao núcleo duro do governo e ao próprio secretário e comandante-geral, coronel Tarciso Antônio de Salles Junior, que agora tenta estancar o desgaste de imagem. A manobra revela um racha na oficialidade: de um lado, quem busca autonomia financeira via royalties; de outro, quem mantém a obediência cega ao caixa centralizado do Guanabara.

O fetiche dos Royalties e o “Estado Paralelo”

A tentativa de desviar 2% dos royalties para um fundo controlado por poucos oficiais é o retrato de um Rio de Janeiro que ainda não aprendeu a lição da responsabilidade fiscal. Em um estado sob Regime de Recuperação Fiscal, a “fome” por fatias carimbadas de receita vira munição para disputas internas de poder. Castro, ao vetar, impede que a Defesa Civil se torne um enclave orçamentário imune ao controle do Planejamento. No Diário Carioca, a análise é pragmática: não se combate desastre criando novos balcões de negócios, mas com gestão eficiente do bilhão que já está no Funesbom.

Anatomia da Crise: Funesbom vs. Fundo da Defesa Civil

Elemento de ConflitoArgumento do Veto (Executivo)Proposta da Alerj / Oficiais
Fonte de RecursoProteção ao FECAM e Funesbom.2% dos Royalties do Pré-Sal.
IniciativaExclusiva do Governador.Parlamentar (Vício de Origem).
GestãoCentralizada no Comando-Geral.Descentralizada para a Subsecretaria.
Consequência PolíticaExoneração do Coronel Lauro Botto.Pressão da Alerj para derrubar o veto.

O Guanabara

Cláudio Castro agiu para manter o cetro do orçamento, mas a crise nos quartéis está longe de terminar. O veto expõe que o comandante-geral dos Bombeiros, Tarciso de Salles Junior, perdeu o controle sobre a articulação política de seus subordinados.

Quando um subsecretário vai ao plenário negociar um fundo à revelia do governador, o problema não é apenas fiscal, é de hierarquia. A Alerj agora tem a faca e o queijo: pode tentar derrubar o veto para marcar território ou recuar diante da óbvia fragilidade técnica do projeto. O Rio não precisa de mais fundos; precisa de menos “donos” para o dinheiro público.

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