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Soja oscila no Paraná e trigo recalibra o Sul na abertura da semana

Indicadores do Cepea revelam alta no interior paranaense, queda em Paranaguá e movimentos divergentes do trigo entre Paraná e Rio Grande do Sul.

12 de janeiro de 2026

OS FATOS:

  • A saca de soja no Paraná (Cepea/Esalq) fechou a sexta-feira (09/01) a R$ 128,99, com alta diária de 0,77% e queda mensal de 4,87%.
  • Em Paranaguá, a mesma saca caiu para R$ 133,85, recuo de 0,56% no dia e 5,08% no mês.
  • O trigo teve leve baixa no Paraná (R$ 1.178,92/t) e alta no Rio Grande do Sul (R$ 1.049,40/t).

A Geopolítica Do Grão

Os números que emergem do Cepea não são simples variações de mercado: eles traduzem, em escala microscópica, as tensões da macroeconomia global. A soja brasileira, um dos pilares da balança comercial do país, oscila entre o interior produtor e o litoral exportador como se refletisse duas forças opostas: de um lado, a pressão de oferta da safra; de outro, a volatilidade dos mercados internacionais e do câmbio.

O fato de Paranaguá — porta de saída da soja brasileira para a China e a Europa — pagar mais que o interior do Paraná revela o custo logístico e o prêmio de exportação embutidos no grão. Ainda assim, a trajetória mensal negativa em ambas as praças indica um ciclo de acomodação de preços, típico de períodos de colheita abundante e recomposição de estoques globais.

Soja: O Pulso Do Paraná

Praça (Cepea/Esalq)Preço (R$ / saca 60 kg)Variação diáriaVariação no mêsPreço em US$
Paraná (interior)128,99+0,77%-4,87%24,03
Paranaguá133,85-0,56%-5,08%24,94

O descolamento entre as duas praças sugere que o mercado portuário já antecipa uma pressão de venda maior nos próximos dias, enquanto o interior reage de forma mais tática a demandas pontuais de esmagadoras e tradings.

Trigo: A Fronteira Do Custo

No trigo, a fotografia é mais sutil. O Paraná, maior produtor nacional, apresenta uma leve retração, enquanto o Rio Grande do Sul, tradicional regulador de preços no Mercosul, experimenta valorização.

EstadoPreço (R$ / tonelada)Variação diáriaVariação no mêsPreço em US$
Paraná1.178,92-0,03%-0,28%219,66
Rio Grande do Sul1.049,40+0,45%+0,32%195,53

Essa assimetria indica ajustes regionais de oferta e demanda, possivelmente ligados à qualidade do grão, custos de frete e ao papel do trigo gaúcho como alternativa de importação para moinhos do Sudeste.

A Saca Como Unidade De Poder

A “saca” de 60 quilos não é uma relíquia do passado, mas um instrumento de padronização que sustenta todo o edifício do mercado de grãos brasileiro. Ao converter volumes físicos em preços comparáveis, ela permite que o produtor de Cascavel dialogue, em tempo real, com o comprador de Xangai. Em um país continental, essa unidade de medida funciona como uma língua franca econômica, mediando bilhões de dólares em contratos e derivativos.

Entre O Campo E O Porto

O que os números desta segunda-feira revelam é um mercado em transição. A soja, ainda pressionada por quedas mensais superiores a 4%, busca um piso que reflita tanto a força da demanda chinesa quanto a competição com os Estados Unidos. O trigo, por sua vez, desenha um mapa de tensões regionais que antecipa disputas por margens em uma cadeia cada vez mais sensível a custos energéticos e cambiais.

Por que a soja é mais cara em Paranaguá do que no interior do Paraná

Porque o preço portuário incorpora prêmios de exportação, custos logísticos e a demanda direta do mercado internacional, enquanto o valor no interior reflete principalmente a oferta local e a negociação com indústrias de processamento.

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